Câmara de Óbidos interpõe providência cautelar contra os CTT

Em causa está o encerramento da estação. Empresa diz que houve uma “quebra muito acentuada” na procura. Edifício dos CTT no centro de Óbidos vale mais de um milhão de euros.

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Nelson Garrido

Sem qualquer aviso prévio, os CTT encerraram a 26 de Outubro a estação dos correios de Óbidos, mas a Câmara Municipal diz que vai interpor uma providência cautelar para suspender o encerramento porque não se conforma com a perda daquele serviço, que era prestado precisamente no centro do burgo medieval.

Mas essa excelente localização no sítio mais nobre de Óbidos, em plena Praça de Santa Maria, é também um dos motivos que torna o fecho dos correios tão apetecível para os CTT. O edifício, que é propriedade da empresa postal, está muito bem valorizado e o objectivo é rentabilizá-lo do ponto de vista imobiliário, sendo a hipótese mais provável a sua venda.

Ao PÚBLICO, fonte oficial da empresa diz que estão “a avaliar todas as soluções possíveis para o referido imóvel”, mas o presidente da junta de freguesia local, João Paulo Rodrigues, contou na assembleia municipal de Óbidos que aquela autarquia se prontificou para prestar o serviço de correios no edifício dos CTT. Contudo, um responsável da empresa respondeu-lhe que o objectivo é a venda do imóvel, o qual possui dois andares e estava sobredimensionado para a função que exercia, sobretudo desde que ali deixou de ser feita a separação da correspondência postal, a qual vem agora de um centro logístico das Caldas da Rainha. Naquele local, a antiga estação dos correios tem as condições óptimas para ser transformado numa unidade hoteleira ou num mini centro comercial destinado aos turistas.

Fonte oficial da empresa diz que Óbidos continua bem servida pois há um Ponto CTT no Bairro dos Arcos a uma distância inferior a um quilómetro da loja que agora encerrou. A mesma fonte diz que a empresa tem hoje 2392 pontos de acesso em todo o país, mais 75 do que em 2014, ano da privatização.

E quanto ao encerramento súbito da estação de Óbidos, diz que “os CTT privilegiam o contacto com as Câmaras Municipais” e que, neste caso, “foi efectuada uma reunião com o presidente da junta de freguesia, que encaminhou os CTT para a Câmara Municipal, de onde não tivemos resposta aos pedidos de reunião solicitados”.

Uma versão que não é aceite pelo presidente da Câmara, o social-democrata Humberto Marques, que, em comunicado, diz que o município foi confrontado com o fecho no próprio dia (26 de Outubro) “sem que tivesse sido dado qualquer conhecimento e justificação para o encerramento desta loja dos CTT”. Afirmando-se “totalmente contra o encerramento” daquele equipamento, a Câmara de Óbidos promete “avançar com todos os meios que estiverem ao seu alcance para que esta estrutura volte a servir a população de Óbidos e os milhares de turistas que a visitam”. A providência cautelar, que está em preparação, será o primeiro passo.

Os CTT, por sua vez, dizem que “registou-se em Óbidos uma quebra muito acentuada na procura nos últimos anos que sustenta, a par com outros critérios, a decisão de substituição da Loja CTT por um Ponto CTT”.

CRÍTICAS NAS CALDAS DA RAINHA

Também no concelho vizinho das Caldas da Rainha, os CTT não estão em alta e têm sido por estes dias alvo de críticas por parte dos presidentes das juntas de freguesia, que se queixam de trabalhar pro bono para aquela empresa. É o caso do socialista Arnaldo Custódio, presidente da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, que contou na assembleia municipal que suporta custos fixos de mil euros por mês para manter o posto dos CTT a funcionar, contra receitas que rondam os 40 a 80 euros mensais.

Rui Jacinto, presidente da freguesia de Salir de Matos, contou que já viveu a mesma situação quando a sua junta trabalhava à comissão com os Correios, mas que renegociou o acordo e recebe agora um valor fixo. O autarca diz que a privatização dos CTT veio dificultar a relação da empresa com as freguesias e que grande parte delas estão actualmente “a trabalhar à borla” para os Correios. Em causa está um protocolo entre os CTT e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) que, segundo os presidentes de junta, nem sempre é cumprido.