Joan Miró, um artista radical aos 80 anos, regressa a Serralves

A Casa de Serralves inaugura esta quarta-feira a exposição Joan Miró e a morte da pintura, com trabalhos produzidos no início da década de 1970. Mostra volta a ser comissariada por Robert Lubar Messeri, o mesmo que organizou a primeira exposição da colecção do ex-BPN em 2016.

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Exposição Joan Miró e a Morte da Pintura Adriano Miranda
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Robert Lubar Messeri, curador da exposição Adriano Miranda
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Robert Lubar Messeri, curador da exposição Adriano Miranda
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Exposição Joan Miró e a Morte da Pintura Adriano Miranda
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Exposição Joan Miró e a Morte da Pintura Adriano Miranda

A Casa de Serralves ocultou de novo as suas portas e janelas para criar o recolhimento necessário à fruição da obra de Joan Miró (1893-1983), através de uma nova exposição criada a partir da colecção do artista catalão resgatada do espólio do extinto Banco Português de Negócios (BPN), e de que a fundação portuense é a actual depositária.

Com o título Joan Miró e a morte da pintura, a mostra, que abre ao público esta quarta-feira, ocupa as salas do piso térreo da antiga casa do Conde de Vizela e dá a ver um conjunto de 34 peças produzidas em 1972/73, ao tempo da preparação da grande retrospectiva que o surrealista catalão apresentaria, no ano seguinte, no Grand Palais, em Paris.

Na base desta reunião estão 11 obras da colecção BPN, acrescentadas de 23 outras pinturas, esculturas e objectos pertencentes a acervos públicos e privados de Espanha e França, nomeadamente das fundações Joan Miró (Barcelona), Mapfre (Madrid) e Pilar e Joan Miró (Palma de Maiorca) e ainda da Colecção Adrien Maeght (Saint-Paul-de-Vence).

Entre estas obras, algumas não eram exibidas há mais de 40 anos, o que significa que A morte da pintura revela algumas facetas menos conhecidas da criação do artista.

“Muitas vezes, as coisas boas surgem-nos em pacotes assim pequenos”, disse Robert Lubar Messeri, o comissário da exposição, esta terça-feira, na apresentação à comunicação social. O curador, reputado especialista na obra de Miró, foi o mesmo da exposição Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, que entre 2016 e 2017 revelou ao público a dimensão e a natureza da colecção do ex-BPN, primeiro no Porto e depois também em Lisboa e em Pádua, Itália. Messeri voltou a realçar a riqueza da colecção agora à guarda de Serralves, observando que ela é um bom ponto de partida para ir à redescoberta do artista que no panorama do século XX surge ao lado de figuras como Picasso, Magritte ou Dalí.

É este o caso da presente exposição em Serralves, que nos mostra como, aos 80 anos, Miró “estava perfeitamente atento às mudanças no mundo da arte”, nota Messeri. “Mais do que matar a pintura, ele estava a procurar modos de a ressuscitar, de lhe dar nova vida” – acrescenta o curador –, mesmo que isso passasse por uma prática quase “assassina”, quando o artista irrompia numa espécie de fúria rasgando a tela, furando a tapeçaria, partindo a madeira e utilizando os materiais mais indiferenciados que tinha à mão no seu atelier, como se de arte povera se tratasse.

“Nós temos a imagem de um artista muito meticuloso, que inventou novas linguagens para o século XX, mas esta exposição mostra um Miró com vontade de ‘assassinar’ a pintura, mostrando os limites à qual ela podia ser levada”, realçou Messeri no decorrer da visita em que guiou os jornalistas pelos diferentes espaços da Casa de Serralves.

Além de pinturas, tapeçarias, esculturas e peças ready made, Joan Miró e a morte da pintura inclui também um filme do fotógrafo Francesc Català Roca e uma série de fotografias mostrando o artista com o seu colaborador Josep Royo a manipular as Telas queimadas produzidas no final de 1973 para a referida exposição do Grand Palais, onde Miró fez questão de que grande parte da selecção dissesse respeito à sua produção dessa altura – era a forma de ele se assumir como “um artista contemporâneo”, nota Messeri.

Ainda no decorrer da exposição, que tem a Sonae como mecenas e ficará patente até 3 de Março, será editado um catálogo.

A mostra começou por ser apresentada por Ana Pinho, presidente da administração que no final deste ano completa o seu mandato na fundação, e também pela directora interina do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Marta Almeida.

No final, Ana Pinho remeteu para mais tarde o anúncio das datas e demais informação sobre a intervenção que o arquitecto Álvaro Siza vai fazer na Casa de Serralves para acolher as futuras exposições a realizar a partir da Colecção Miró.

“O objectivo das obras será exclusivamente permitir que a Casa passe a ter excelentes condições museológicas, e o arquitecto Siza já explicou que isso não significa mexer na sua integridade”, disse a administradora ao PÚBLICO.