Técnicos de diagnóstico mantêm greve. Sindicatos e ministério não chegam a acordo

A reunião com o Ministério da Saúde terminou sem acordo. Paralisação realiza-se na terça, na quarta e na sexta-feira desta semana e continua nos dias 18, 19, 21, 26, 27, 28 e 31.

Foto
LUSA/RITA QUEIROZ

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica vão manter a greve que têm agendada até ao final do mês. Os sindicatos reuniram-se nesta segunda-feira com o Ministério da Saúde, mas não houve acordo em relação à aplicação da grelha salarial.

O presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica, Luís Dupont, adiantou que o ministério deu por encerradas as negociações referentes à tabela salarial.

Os sindicatos decretaram 12 dias de greve este mês em dias intercalados. A paralisação começou no dia 5. Esta semana, a greve realiza-se na terça, na quarta e na sexta-feira (das 00h00 às 23h59 de cada dia). Continua nos dias 18, 19, 21, 26, 27, 28 e 31. Existem serviços mínimos para tratamentos oncológicos e casos urgentes.

“Não houve acordo entre os sindicatos. O Ministério da Saúde apresentou uma nova proposta, com uma ligeira alteração numa posição remuneratória da base, nos ressaltos salariais, mas muito longe da igualdade de tratamento que queremos [em relação a outras profissões da saúde]. Há hipótese de abertura de um concurso em 2019, porque com a transição [para a nova carreira] não é colocado ninguém na categoria de topo. Mas essa abertura só afectaria 257 profissionais. Os restantes, 97%, ficam todos na base da carreira. Mais de oito mil trabalhadores ficam na base na carreira”, disse ao PÚBLICO Luís Dupont. Uma situação que considera inaceitável. Como o é, diz, o adiamento da aplicação da nova tabela salarial. A carreira dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica foi aprovada em 2017, mas falta a regulamentação para ser aplicada.

“Pela primeira vez ao longo deste ano, em que nos foram sendo apresentadas propostas, o Governo prevê só aplicar a tabela salarial a partir de 1 de Janeiro de 2019. É inaceitável. As carreiras foram publicadas em Agosto de 2017 e a tabela salarial devia ter sido aplicada desde 1 de Janeiro de 2018”, afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica, referindo que os sindicatos pediam ao ministério que a nova tabela fosse aplicada desde o início deste ano com retroactivos.

Desfile e concentração em Coimbra

Até que a nova tabela seja aplicada, os técnicos que estejam na base da carreira recebem 1020 euros. Com a nova tabela passam a receber 1200 euros, o mesmo que os enfermeiros já recebem.

Outra reivindicação que ficou sem resposta são os saltos remuneratórios referentes à mudança de posição na carreira. Luís Dupont explicou que os técnicos estão a receber menos que outras carreiras da saúde quando mudam de escalão.

“Sobre estas matérias o Ministério da Saúde deu as negociações por encerradas, apesar de termos pedido para não o fazer”, lamentou, referindo que “não há desmarcação das greves” já marcadas até ao final do ano.

Na próxima quarta-feira haverá um desfile e concentração em Coimbra (começa no hospital e termina na Praça das Portagens). “Queremos sensibilizar o Governo e os portugueses para o facto de não estarmos a pedir nada acima do que o Governo já dá a muitas carreiras da saúde e outras. Não estamos a pedir nada de extraordinário”, defendeu Luís Dupont.