Perdemos mais de 130 mil mulheres em idade fértil em seis anos

Portugal é dos países da OCDE com maior proporção de bebés com baixo peso à nascença e partos prematuros. Estes representavam já mais de 8% do total de partos no ano passado, adianta o Conselho Nacional de Saúde.

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Adriano Miranda

Entre 2010 e 2015, Portugal perdeu mais de 130 mil mulheres em idade fértil. Actualmente o país não tem mulheres em idade fértil em número suficiente para inverter o saldo natural negativo iniciado há mais de 10 anos, sublinham os autores do segundo estudo do Conselho Nacional de Saúde que esta quarta-feira é apresentado em Lisboa e que se debruça sobre as políticas públicas para as crianças e jovens, dos 0 aos 18 anos.

Mas há muitos outros dados a merecer destaque no relatório. Apesar de ter uma baixa taxa de mortalidade infantil, Portugal é dos países da OCDE com maior proporção de bebés com baixo peso à nascença (8,9%) e 8,1% dos partos corresponderam já a partos prematuros em 2017. Também a taxa de cesarianas continua muito elevada (33,1% em 2016), em grande parte devido às unidades privadas (65,5%). 

Na saúde mental, também há má notícias: Portugal tem um número insuficiente de serviços e unidades na área da psiquiatria da infância e da adolescência e uma distribuição geográfica muito desigual, quando está estimado, pela Organização Mundial de Saúde, que cerca de 10% a 20% terão um ou mais problemas de saúde mental.

Ao mesmo tempo, observam que há políticas públicas muito positivas que depois acabam por ser desperdiçadas em parte. Um exemplo:  22% dos cheques-dentista emitidos em 2017 para crianças e jovens com menos de 18 anos não foram utilizados. 

Nos últimos anos, tem aumentado também a proporção de crianças a residir em zonas urbanas e periurbanas, onde a qualidade do ar exterior e interior é mais pobre. O documento reporta valores de 2014 que apontam para a existência de alergias em mais de metade (52,9%) dos adolescentes em idade escolar e de asma em 30,7%. 

Por último, mas não menos importante: Portugal tem um Programa de Prevenção de Acidentes com Crianças e Jovens, mas este "não está desenvolvido de forma estruturada", lamentam os conselheiros que lembram que, entre 2002 e 2017, morreram 247 crianças e jovens por afogamento em Portugal.