Vamos conhecer Aguiar da Beira de mapa na mão?

Esta quarta-feira são inaugurados três percursos de orientação, uma forma de apostar no turismo através do desporto. Apesar de a modalidade ainda não ter muita projecção em Portugal, a vila da Beira Alta tem sido o local escolhido para a prática por vários atletas internacionais e vai receber o mundial de juniores em 2021.

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É já esta quarta-feira, dia 5, que vão ser inaugurados três percursos para a prática de orientação em Aguiar da Beira. Desta forma, o município reforça a sua aposta no turismo desportivo ao ar livre, através de uma modalidade que tem trazido notoriedade àquela vila da Beira Alta.

Vocacionados para fins lúdicos, os trajectos dos três caminhos abrangem áreas temáticas distintas. Um dos percursos engloba um roteiro urbano, que passa pelos principais monumentos da vila. Entre os dez pontos do percurso, está incluída a passagem pela Igreja Matriz (do século XVIII), pelo largo dos monumentos (que inclui o pelourinho, a torre do relógio e a fonte ameada, os três de origem medieval) e pelas ruínas do Castelo de Aguiar da Beira (que se estima que remontem aos séculos VII a XI).

O segundo percurso prevê um roteiro pela herança megalítica do Carapito, sendo os três dólmenes da aldeia, construídos entre 2900 a 2600 a.C., os ex-líbris entre as 15 paragens. O terceiro percurso, sob a designação de "rota do míscaro", atravessa a floresta para permitir a observação de diferentes espécies de cogumelos, incluindo o míscaro amarelo, típico da região que anualmente organiza um certame destinado àqueles fungos.

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“Aguiar da Beira tem óptimas condições para a prática de orientação”, afirma Fernando Costa, responsável por divulgar o projecto e praticante da modalidade há 25 anos. Desde 2014 que a vila com cerca de cinco mil habitantes recebe provas de orientação, sendo palco de estágios e treinos de vários atletas internacionais. O desenvolvimento da modalidade naquela região vai culminar com a organização do campeonato do mundo de juniores em 2021.

Mesmo não sendo vocacionados para a prática profissional, a construção destes três caminhos prevê generalizar a prática da modalidade na vila, visando, simultaneamente, apostar no turismo desportivo. “Aguiar da Beira é um labirinto de rochas e tem zonas com muita vegetação”, adianta Fernando Costa, justificando assim o potencial desportivo de Aguiar da Beira, que, devido à sua geografia, torna-se num “grande desafio” para os praticantes.

Vantagens territoriais que não são exclusivas de Aguiar da Beira e que têm sido ignoradas por várias regiões do país. “O futuro do interior pode passar pela aposta no turismo desportivo de natureza”, afirma, dando o exemplo, além da orientação, “do BTT, trail running e do birdwatching”.

Para já, a aposta de Aguiar da Beira passa pela orientação. “É a primeira vez que o Estado [através do município] financia a modalidade”, afirma Fernando, notando que este desporto continua “esquecido”, apesar de ter uma federação própria em Portugal desde 1995 e de ter nascido, enquanto desporto organizado, em 1897, na Noruega.

O objectivo da orientação é percorrer uma certa distância, passando por localizações assinaladas num mapa que cada praticante recebe no início da prova. Em cada localização encontra-se uma sinalização (conhecida como baliza) com picotadores, para que o atleta pique o cartão de controlo, comprovando a passagem pela sinalização. Vence quem percorrer todo o percurso (ou seja, passando por todas as balizas) em menos tempo. Não existe um itinerário obrigatório, pelo que cabe a cada atleta escolher a ordem das balizas a percorrer. Por todas estas circunstâncias, Fernando descreve a modalidade como “um mundo de conhecimento”: “A orientação trabalha com várias ciências, como a cartografia e a geografia aliadas à prática desportiva”, destaca.

Tudo isso vai estar em destaque em Aguiar da Beira já na quarta-feira, dia 5. A inauguração dos percursos estará a cargo de alunos das escolas básicas e secundárias da vila, que têm vindo a praticar nas aulas de Educação Física. “Aguiar da Beira tem feito um óptimo trabalho na promoção da modalidade”, conclui Fernando Sousa.

Texto editado por Sandra Silva Costa