Para muitos, a fruta deixou de ter casca. Agora vem em embalagens

As alternativas à fruta fresca passaram a ser uma moda. Em pó, desidratada ou em polpa, já não há desculpa para não comer fruta.

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As alternativas à fruta fresca são uma realidade dos dias de hoje e para todas as idades, dos boiões para os bebés à fruta desidratada em pacotes semelhantes aos das batatas fritas. Já sabemos que a fruta faz bem à saúde e há novas formas de a comer. O PÚBLICO falou com a indústria e com o nutricionista Pedro Carvalho. Para a primeira é sem dúvida uma boa alternativa, para o especialista não há nada como a fruta fresca.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta para o consumo de três a cinco peças de fruta e hortícolas por dia, essencial para uma alimentação saudável. Contudo, segundo a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, sete em dez crianças, entre os dois e os dez anos, não ingerem a fruta recomendada pela OMS e falhas como estas na alimentação dos mais novos podem ser cruciais para o seu desenvolvimento. Ainda segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, apenas 63,6% das crianças consome fruta diariamente e 37,7% come legumes. De recordar que as crianças portuguesas estão menos obesas e com menos excesso de peso, mas que Portugal ainda tem quase um terço das crianças com peso a mais ou obesidade

A responsabilidade de introduzir a fruta e os legumes na alimentação é de quem cuida das crianças. As birras para não comer sopa, os legumes ou fruta devem ser evitadas. Por isso, Pedro Carvalho recomenda que se comece por introduzir aquelas que as crianças podem ter preferência. Por exemplo, a banana é a primeira que os pediatras recomendam. “Há que ter bom senso e ir introduzindo a fruta gradualmente e com calma para não associar uma imagem muito negativa da fruta”, aconselha o nutricionista. Obrigar as crianças é “meio caminho andado” para não comerem, alerta.

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Apenas a polpa

Foi em 2006 que a Compal Essencial começou a ser comercializada. Trata-se de uma proposta de fruta on the go, ou seja, o que se vende é a polpa de fruta em pequenas embalagens de plástico. A fruta é de origem portuguesa e não são usados corantes nem conservantes, assegura Ana Rita Martins, gestora de marketing da Sumol+Compal, acrescentando que este é um produto já comercializado em vários países europeus. 

Nutricionalmente, este produto é equivalente a uma peça de fruta. No entanto, “não substitui o consumo de fruta fresca, é apenas uma solução que ajuda a complementar o seu consumo”, sublinha a gestora.

Uma das estratégias adoptada pela Sumol+Compal, consiste na criação de postos de venda nas estações de metro, em Lisboa, para promover o produto nas alturas do dia em que não há tempo nem vontade para estar a descascar a fruta.

Apesar de compreender a conveniência da venda destes produtos à base de fruta, Pedro Carvalho não os recomenda. “Excepto a indivíduos com elevado gasto calórico devido ao treino e que tenham margem para ingerir mais hidratos de carbono” ou então a quem não gosta mesmo de fruta fresca. 

Fatias crocantes e desidratadas

A fruta desidratada é outra forma de comer. Já surgiram algumas marcas como a Fruut e a Frubis, ambas detentoras de pomares e que encontraram na desidratação uma forma de promover o consumo da fruta.

Para a NuviFruits, uma das empresas do grupo Luís Vicente, que comercializa a Frubis, este produto foi criado “para aqueles momentos em que é mais prático do que comer fruta fresca e mais saudável do que comer qualquer outro tipo de snack, descreve David Mota, director-geral.

Com herdades no Alentejo e produções de pêra rocha e maçã na região Oeste, é-lhes possível controlar melhor a fruta que vendem e beneficiar com os recursos que já têm. “Quando vemos o que são os hábitos alimentares adequados e vemos a alimentação pobre em fruta e vegetais”, percebe-se que não existe a vontade suficiente para levar a fruta para o trabalho e descascá-la em frente ao computador, observa David Mota. 

Por isso, a ideia das duas marcas é incentivar à substituição dos petiscos menos saudáveis e ricos em sal, por fruta que é “lavada, desinfectada, descascada, descaroçada, fatiada e depois desidratada num sistema de temperaturas altas e baixas humidades”, descreve o director-geral da NuviFruits.

Ao analisar a embalagem da maçã verde, por exemplo, é possível ver que o nível de calorias do produto é muito maior do que as de uma maçã fresca. David Mota esclarece: “A maçã é composta por cerca de 82% de água e quando essa água evapora, faz com que haja uma natural concentração de hidratos de carbono e isso é apenas o açúcar natural da fruta, a frutose.”

Origens Bio e a Iswari são marcas com produtos naturais à base de superalimentos e também elas dispõem de fruta desidratada como tiras de coco tostadas e amoras brancas. 

Pedro Carvalho, nutricionista, explica que existem vitaminas como a A e C, além da fibra que, depois do processo de desidratação, diminuem os seus níveis de concentração na fruta.

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Texto editado por Bárbara Wong