PCP e Fórum Cidadania criticam projecto do Martim Moniz

O projecto para o Martim Moniz continua a somar críticas. Depois dos moradores e outras forças políticas, é a vez do PCP e de um movimento de cidadãos apontar o dedo aos contentores.

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Nuno Ferreira Santos

Os vereadores do PCP discordam frontalmente do projecto para o Martim Moniz, que prevê a substituição dos quiosques por contentores que albergarão espaços comerciais, e, em comunicado emitido nesta quinta-feira, consideram que a câmara não deu esclarecimentos cabais sobre o tema. Também o Fórum Cidadania escreveu à autarquia, pedindo a anulação da concessão e do projecto e a reformulação completa do programa de reabilitação da praça. Um pedido que assume a forma de petição. O projecto foi apresentado publicamente na terça-feira no Hotel Mundial, tendo sido recebido com muitas críticas.

“Enquanto primeira experiência de concessão de uma praça em Lisboa, seis anos depois, o Martim Moniz deve ser objecto de uma reflexão sobre os resultados deste modelo”, começam por escrever os comunistas, sublinhando, em tom crítico, a intenção de ali prosseguirem actividades comerciais e de ser colocada uma vedação.

“Com o novo Martim Moniz e a vedação no Adamastor (ainda sem projecto conhecido), fica clara a intenção da gestão da CML de estabelecer limitações de horário para o espaço público e de transformar praças em recintos para consumo e usufruto cada vez menos inclusivos, comprometendo com estas novas formas urbanas o Direito à Cidade”, apontam. Uma prática que o PCP diz condenar, sobretudo por estes projectos não serem discutidos previamente dentro dos órgãos eleitos municipais.

Por seu lado, o Fórum Cidadania escreve ao presidente da câmara e ao vereador do urbanismo, dizendo-lhes que todas as soluções implementadas na praça têm sido um desastre. “Chegados ao presente, tornou-se evidente que o modelo implementado de criação sistemática de eventos e de animação forçada do local o degradaram física e socialmente”, escrevem, para criticar o facto de  o novo projecto assentar no mesmo modelo, “que comprovadamente falhou, apenas transformando as barracas em contentores com lojas e restauração gourmet

Pedem que a concessão seja anulada, assim como o projecto apresentado, e se reformule a reabilitação na praça assente num alargado debate público. Defendem a colocação de árvores e bancos de jardim para que a praça seja efectivamente usufruída por todos.

“A possibilidade efectiva daquele espaço poder ser espaço público de qualidade apenas resultará da sua fruição colectiva, de uma praça, não de um parque de diversões, não de um aglomerado de pequenos parques temáticos, mas de um parque de onde e onde se façam equilíbrios, consensos, harmonias e disfrutes da magnífica paisagem que, todavia, Lisboa proporciona”, acrescentam.