Riad iliba príncipe herdeiro da morte de Khashoggi e pede pena de morte para cinco suspeitos

Morte de Jamal Khashoggi foi ordenada por “um responsável de topo”, mas Mohammed bin Salman “não tinha nenhum conhecimento” do plano, segundo o Ministério Público saudita.

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Jamal khashoggi foi morto no consulado saudita em Istambul Reuters/Osman Orsal

O Ministério Público da Arábia Saudita pediu a pena de morte para cinco das 11 pessoas acusadas de terem assassinado o jornalista Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul, na Turquia. Numa declaração pública feita esta quinta-feira, o vice-procurador-geral, Shaalan al-Shaalan, disse que a ordem foi dada por “um responsável de topo” e que o príncipe Mohammed bin Salman não teve conhecimento do plano.

Segundo a acusação, Khashoggi foi morto no consulado, no dia 2 de Outubro, depois de uma luta com um grupo de pessoas que tentavam “negociar” o seu regresso à Arábia Saudita.

O seu corpo foi depois desmembrado e transportado para fora do edifício e ainda não foi encontrado, disse o vice-procurador-geral.

O mesmo responsável adiantou que a ordem para matar Jamal Khashoggi foi dada pelo responsável do grupo que foi enviado para levar o jornalista de volta para a Arábia Saudita.

“O Ministério Público pediu a pena de morte para cinco indivíduos acusados de terem ordenado e cometido o crime, e penas apropriadas para os restantes acusados”, disse Shaalan al-Shaalan.

A Reuters noticia entretanto que o secretário do Tesouro norte-americano deve anunciar esta quinta-feira sanções contra 17 cidadãos sauditas por causa do papel que tiveram na morte de Khashoggi, que vivia há um ano nos Estados Unidos e era colaborador do jornal Washington Post. O jornalista tinha viajado até à Turquia para tratar dos documentos necessários para se casar com a sua noiva, uma cidadã turca.

Entre os sauditas a serem alvo de sanções, ao abrigo da lei Magnitsky, que permite punir quem seja considerado culpado de violar direitos humanos, deverá estar o cônsul em Istambul Mohammed Alotaibi e Saud al-Qahtani, que é apontado como mandante do assassínio de Khashoggi. Qahtani era um dos principais conselheiros do príncipe herdeiro e o Ministério Público diz que ele se reuniu com o grupo enviado em missão para a Turquia por causa do jornalista.

O Governo de Riad apresentou várias versões para o desaparecimento do jornalista no dia 2 de Outubro, até dizer que Khashoggi tinha sido morto numa operação não autorizada depois de se ter envolvido numa luta com os seus agressores.antes da partida para a Turquia.

Qahtani foi despedido e está proibido de viajar para o estrangeiro e agora as autoridades sauditas apontam para que o ex-assessor do príncipe Mohamed bin Salman responsabilizado

A morte de Jamal Khashoggi afectou as relações entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos e agravou a tensão entre o reino e a Turquia.

Na Turquia e nos Estados Unidos não faltam acusações de que o mandante do assassínio foi o príncipe Mohammed bin Salman, tido até há poucos meses como um motor de mudanças na Arábia Saudita em questões de liberdade e direitos humanos.

Mas o Ministério Público saudita disse esta quinta-feira que Mohammed bin Salman “não tinha nenhum conhecimento” do plano.

Para além dos 11 suspeitos que souberam esta quinta-feira as penas a que poderão vir a ser condenados, há outros dez que continuam a ser inquiridos.