Facebook apaga maior rede de páginas e contas pró-Bolsonaro

Uma única empresa, suspeita de receber financiamento do partido do vice de Bolsonaro, estava ligada à gestão de 68 páginas e 43 perfis no Facebook. A rede somava milhões de seguidores.

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Reuters/NACHO DOCE

A rede social Facebook apagou nesta segunda-feira um conjunto de 68 páginas e 43 perfis que, segundo o jornal O Estado de São Paulo, formavam a maior rede online de apoio ao candidato presidencial brasileiro Jair Bolsonaro.

As páginas e perfis eram detidas por uma única entidade, a Raposo Fernandes Associados (RFA). O Facebook afirma que a RFA violou as regras de autenticidade e de spam da rede social ao utilizar contas falsas ou duplicadas para gerir páginas como a Folha Política, a TV Revolta e o Movimento Contra Corrupção, que somavam milhões de seguidores e, no seu conjunto, geravam mais interacção online do que estrelas pop como Madonna ou Anitta.

A RFA, administrada por Thais Raposo Chaves e Ernani Fernandes, já tinha sido objecto de uma reportagem do site The Intercept, que em Julho revelou que a empresa tinha recebido pagamentos do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) de António Mourão, candidato de Bolsonaro à vice-presidência. No passado, a mesma empresa já tinha recebido dinheiro de um deputado do PSL de Bolsonaro.

Através das suas páginas e sites, a RFA difunde notícias falsas e mensagens de propagandas favoráveis ao sector conservador brasileiro.

Apesar de se apresentarem como páginas independentes, a rede também incluía páginas explícitas de apoio ao candidato presidencial de extrema-direita, como a Apoio a Jair Bolsonaro, e tinha celebrado o resultado da primeira volta das eleições.

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Exemplos de páginas ligadas à RFA que foram apagadas esta segunda-feira

No entanto, o Facebook não aponta o conteúdo dessas páginas como razão para a sua remoção, mas antes o facto de os seus administradores ocultarem a sua identidade e de canalizarem tráfego para sites externos de forma fraudulenta.

“As pessoas por trás da RFA criaram Páginas usando contas falsas ou múltiplas contas com os mesmos nomes, o que viola nossas políticas. Eles então usavam essas Páginas para publicar uma grande quantidade de artigos caça-cliques, com o objectivo de direccionar as pessoas para seus sites fora do Facebook. Esses sites, por sua vez, têm uma grande quantidade de anúncios programáticos e pouco conteúdo, funcionando como “fazendas de anúncios” (“ad farms”, em inglês). Nós baseamos nossa decisão de remover essas Páginas pelo comportamento delas – como o facto de que estavam usando contas falsas e repetidamente publicando spam -, e não pelo conteúdo que estavam postando”, sublinha o Facebook num comunicado oficial.

Ainda assim, com a decisão desta segunda-feira desaparece uma importante ferramenta para a campanha presidencial de Bolsonaro, que desde a semana passada tem estado sob intenso escrutínio após o jornal Folha de São Paulo ter denunciado que várias empresas teriam financiado o envio de mensagens favoráveis ao candidato através da rede WhatsApp, o que constitui uma violação potencialmente grave da lei eleitoral brasileira.