Maioria tem emprego imediato, mas 16% dos jovens do ensino profissional não estudam nem trabalham

Onde estão os alunos 14 meses depois de concluírem o secundário? É o mais recente estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

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Nelson Garrido

Produção agrícola e animal (95,1%), artes do espectáculo (89,6%) e metalurgia e metalomecânica (89,1%) são os três cursos profissionais com maiores “taxas de empregabilidade e/ou prosseguimento de estudos”. Quer isto dizer que são as formações destas áreas as que têm menos jovens parados, sem qualquer actividade, cerca de um ano após a sua saída da escola.

Apesar de os cursos profissionais estarem direccionados para “uma integração imediata no mercado de trabalho”, cerca de 16% de alunos provenientes deste tipo de formação, inquiridos em 2017 pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), não estavam nem a trabalhar nem a estudar — “não significando isto, no entanto, que não houvesse da parte da maioria destes jovens interesse em encontrar emprego”, sublinha a DGEEC. Já entre os ex-alunos dos cursos científico-humanísticos, a taxa destes “nem-nem” era de 3,2%.

Os dados são relativos ao ano passado constam da nova edição de Jovens no Pós-Secundário, publicada pela DGEEC. O inquérito, feito entre Outubro de 2017 e Maio de 2018, mostra onde estão os jovens 14 meses depois daquela que era a data prevista para a conclusão do secundário. Globalmente, 63,2% estão a estudar, 22% a trabalhar, 6,8% a estudar e a trabalhar ao mesmo tempo e 6,4% não fazem nada (um número residual encontrava-se noutras situações não especificadas). Contudo, estas taxas variam muito, como já se viu, conforme se fala de alunos que vieram de cursos científico-humanísticos (vocacionados para o prosseguimento de estudos) ou de alunos de cursos profissionais.

Entre os primeiros, a percentagem dos que continuavam a estudar — ou conjugavam estudos com trabalho — era de 91,8% (a maioria em cursos universitários). Entre os ex-alunos do profissional era de 32,6%. Exclusivamente a trabalhar estavam 5% dos ex-alunos dos cursos científico-humanísticos e 51,4% dos do ensino profissional — mais 2,2 pontos percentuais do que o registado num inquérito anterior, em 2016.

As “dificuldades económicas” incluem apenas parte das razões que levam os jovens a escolher só trabalhar (e não estudar) após o secundário: 20,8% dos que vieram de cursos científico-humanísticos referem-nas — a principal razão é mesmo, em 60% dos casos, o desejo de “independência financeira”. Entre os ex-alunos do profissional a “independência financeira” é uma razão apontada por sete em cada dez jovens; as “dificuldades financeiras” são mencionadas por 17,5%.

Em termos globais, nota ainda a DGEEC, a percentagem de jovens que reportou estar "satisfeito" ou "muito satisfeito", quer com os professores, quer com o curso, quer com a escola que frequentou, excedeu os 75%.