Ronaldo contrata advogado para se defender de acusação que pode dar prisão perpétua

Jogador português tem 20 dias para responder à intimação. Já contratou o mais conceituado advogado em direito criminal de Las Vegas, David Chesnoff, o mesmo que prepara a defesa do produtor Harvey Weinstein.

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O seleccionador nacional, Fernando Santos, disse esta quinta-feira que Cristiano Ronaldo não estava "convocável" Reuters/Jorge Silva

Se for julgado e declarado culpado do crime de violação no âmbito de um processo penal, Cristiano Ronaldo arrisca uma pena de prisão perpétua. No estado do Nevada, onde uma acção cível foi apresentada há uma semana, num tribunal do condado de Clarck, na cidade de Las Vegas, as agressões sexuais são encaradas o crime mais grave logo depois do homicídio. Mas, para que a condenação ocorra, Kathryn Mayorga tem de conseguir provar, acima de qualquer dúvida razoável, que as lacerações no ânus que tinha quando apresentou a primeira queixa resultaram de sexo forçado e não consensual.

E o jogador português parece querer jogar pelo seguro. Para se defender, contratou aquele que é considerado o mais conceituado advogado em direito criminal de Las Vegas, David Chesnoff. Segundo a imprensa norte-americana, este advogado integra a equipa responsável pela defesa do produtor Harvey Weinstein, acusado de assédio sexual por várias actrizes de Hollywood. E o seu portefólio de clientes é um verdadeiro cardápio de estrelas, entre as quais a socialite Paris Hilton, a apresentadora Martha Stewart, a cantora Britney Spears, o ilusionista David Copperfield e o ex-basquetebolista Shaquille O’Neal, entre outros. Chesnoff, a quem o Wall Street Journal se referia em 2007 como o advogado a quem telefonar se alguém se meter em sarilhos em Las Vegas, já negou categoricamente a veracidade das acusações, num comunicado em que expressou a sua fé no sistema judicial norte-americano.

No mesmo comunicado, citado pelas agências internacionais, Chesnoff asseverou que a polícia de Las Vegas que recepcionou a queixa apresentada por Kathryn em 2009 não encontrou razões para avançar com uma queixa-crime. Esta semana, o gabinete de informação pública do Departamento da Polícia Metropolitana de Las Vegas confirmou ao PÚBLICO que, no dia 13 de Junho de 2009, respondeu a uma chamada de agressão sexual e que a vítima “não divulgou aos detectives o local do incidente nem uma descrição do suspeito”.

Foi então realizado um exame médico e os indícios recolhidos, bem como as fotografias que mostravam os ferimentos da vítima - um inchaço circunferencial com hematomas e laceração – foram arquivados, devendo agora ser reanalisados no âmbito da investigação ao caso que foi entretanto reaberta. Na versão de Kathryn, Ronaldo forçou-a a ter sexo anal, apesar de esta ter dito várias vezes “não” e pára”, num quarto da penthouse onde amigos de ambos se divertiam no jacuzzi

Há dúvidas quanto àquilo que a polícia realmente sabia. Na segunda-feira, o seu porta-voz, Aden Ocampo, garantiu que Kathryn nunca chegou a apontar-lhes o nome do suspeito. Na entrevista que deu à revista alemã Der Spiegel, Kathryn garante que, duas ou três semanas depois de ter apresentado queixa, completou o depoimento com o nome do suposto agressor, embora tenha pedido ao agente que a atendeu que não fizesse nada com aquela informação por enquanto. Motivo: estava emocionalmente instável e precisava de mais tempo para decidir o que fazer.

Falta saber se a reabertura desta investigação por parte da polícia dará azo ou não a um processo-crime. Numa conferência de imprensa, Leslie Stovall, advogado da ex-modelo e ex-professora de educação física, não deixou claro se à acção cível se somará um processo criminal. “Não quero parecer banal, mas ela quer justiça”, limitou-se a dizer, quando lhe perguntaram se a sua cliente queria ver o jogador atrás das grades.

Por enquanto, Cristiano Ronaldo é visado apenas numa acção cível que pede a anulação do acordo de confidencialidade que pressupôs o pagamento de cerca de 323 mil euros a Kathryn e o acusa de vários crimes: agressão e abuso sexual, imposição intencional de sofrimento emocional, coacção e fraude, chantagem e conspiração, difamação, abuso de direito. O jogador tem 20 dias para responder à intimação.

Segundo os advogados de Kathryn, a violação deixou-a depressiva, com pensamentos suicidas e a sofrer de stress pós-traumático, o que a tornou legalmente incompetente para assinar o acordo de confidencialidade, para o que terá sido coagida pelos representantes legais do jogador.

Ronaldo, que se diz “de consciência tranquila” e que qualificou a violação como “um crime abjecto”, conta com a “total solidariedade” do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes: “Conheço o Ronaldo há muitos anos e sou testemunha do seu bom carácter”.

Ontem, soube-se que o jogador da Juventus não deverá voltar a jogar por Portugal em 2018, ficando de fora da lista de convocados para os jogos frente à Polónia, Escócia e Itália. Dizendo acreditar na inocência do jogador, o seleccionador nacional, Fernando Santos, alegou que Ronaldo não estava “convocável”.