Gov Tech: robots para limpar a mata a concurso

O Governo lançou um concurso para apoiar produtos e serviços que respondam aos objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Adminitrativa, coordenou o concurso
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Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Adminitrativa, coordenou o concurso miguel manso

A escolha é variada. Há robots que planeiam e limpam florestas, há um produto único alimentar, de nome salicórnia, que pode ser usado como alternativa ao sal e assim prevenir algumas das doenças que mais afectam os portugueses ou ainda materiais que substituem o plástico. Ao todo concorreram 113 empresas a um concurso lançado pelo Governo para produtos e serviços que pelas suas características vão ao encontro dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas.

Carlos Viegas, professor de robótica na Universidade de Coimbra, é um dos seis finalistas do concurso Gov Tech. Apresentou a concurso uns robots, programados, para perceber as necessidades dos terrenos em serem limpos e fazer essa limpeza, sem a necessidade de mão humana. "Este projecto irá permitir um maior aproveitamento dos recursos humanos, melhorar as condições de trabalho dos operadores florestais, melhorar a eficiência e rapidez dos trabalhos de limpeza e reduzir o seu custo. Actua na prevenção dos fogos rurais, protegendo a vida terrestre", lê-se na ficha do concurso.

Nesta quinta-feira, saberá se está entre os três beneficiários do apoio do Governo a produtos e serviços que respondam aos objectivos da ONU e que receberão 30 mil euros e apoio à internacionalização da marca. É a primeira vez que o Governo faz este concurso para apoiar startups, mas não ideias que ainda não estejam no papel: "Quisemos [apoiar] quem está neste mercado, não podia ser uma ideia de negócio, um produto ou um serviço que consubstanciasse uma solução para os desafios globais", diz ao PÚBLICO, Graça Fonseca, a secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa.

Esta posição leva a governante a considerar que não está apenas a promover, mas a premiar. "Muitos dos candidatos, já dentro dos finalistas, não precisam deste dinheiro inicial, mas quiseram candidatar-se e perceberam que era preciso posicionar-se no mercado global que contribui na Agenda 2030 da ONU e que os posiciona de modo diferente" ou seja, de produtos feitos em Portugal que pretendem responder a "problemas que se colocam aqui ou noutros países".

Nos seis finalistas, além do projecto dos robots para a limpeza das matas, há um produto alimentar para evitar excessos de consumo de sal e com isso prevenir doenças vasculares, um material que substitui os adesivos nas aplicações médicas, para evitar problemas de pele com a sua remoção, um material alternativo ao plástico para ser utilizado nos vasos de produtos agrícolas e um portal de compra e venda de hortofrutícolas que põe em contacto directo produtores e consumidores.

NOTA: Erradamente, o PÚBLICO identificou o responsável pelo projecto dos robots para limpeza das matas como Domingos Xavier Viegas, professor da Universidade de Coimbra e especialista em incêndios. Na verdade, o autor do projecto é Carlos Xavier Pais Viegas, também ele professor na Universidade de Coimbra, mas especialista em engenharia mecânica. Os dois têm colaborado em projectos conjuntos de desenvolvimento de aplicações destinadas a melhorar a protecção em relação aos incêndios florestais. Pela troca de identidades, pedimos desculpa aos próprios e aos leitores.