Mais de 20 obras da colecção SEC em exposição no Museu de Aveiro

Julião Sarmento, Vieira da Silva e Noronha da Costa são alguns dos artistas representados na mostra realizada em parceria com Serralves. Aveiro promete acentuar a partilha das 260 obras de arte que tem à sua guarda desde 2006

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André Rodrigues/Público
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A obra de maiores dimensões – tem 5,52 por 5,21 metros - é um políptico de Julião Sarmento, intitulado Sic vt dolor meus. Trata-se de um retábulo criado a pensar num espaço religioso, que ocupa agora lugar de destaque no Museu de Aveiro – Santa Joana no âmbito da exposição “Corpo Abstracção e Linguagem na Arte Portuguesa: obras da Secretaria da Estado da Cultura em depósito na Colecção de Serralves e no Município de Aveiro”, que é inaugurada nesta quarta-feira (17h00) na principal unidade museológica da cidade aveirense.

A mostra reúne mais de 20 obras provenientes da chamada “Colecção SEC”, constituída por aquisições feitas pelo Estado ao longo de 32 anos. Parte delas, mais concretamente sete, integram o conjunto de mais de 200 obras que estão, desde 2006, em depósito no município de Aveiro - ao abrigo de um protocolo assinado pelo Ministério da Cultura com a autarquia e, também, a Universidade de Aveiro. As restantes fazem parte do conjunto de obras que estão à guarda do Museu de Arte Contemporânea de Serralves.

Além de Julião Sarmento, estarão, ainda, representados na exposição artistas como Joaquim Bravo, Charters d’Almeida, Noronha da Costa, Pedro Calapez e Vieira da Silva. E isto só para falar nos quadros seleccionados a partir do conjunto que está à guarda de Aveiro - do Porto, viajaram obras de outros tantos artistas conceituados. No total, estarão 24 obras expostas – “inicialmente estavam previstas 32, contudo, face à grande dimensão de algumas delas tornou-se necessário retirar oito obras”, explicou a organização -, seleccionadas por Serralves.

A mostra, que vai estar patente até 1 de Dezembro, surge na sequência da adesão da câmara de Aveiro à Fundação Serralves e ao seu Conselho de Fundadores, protocolada em Dezembro do ano passado. “Uma aposta importante, que tem o seu primeiro evento nesta exposição”, destaca o presidente da autarquia aveirense, Ribau Esteves, assegurando que outras acções em parceria se seguirão. Garantida está também, segundo o autarca, “a opção política” de partilhar as obras que estão em depósito em Aveiro com o público. “Esta colecção está à nossa guarda não exactamente para estar guardada mas para ser partilhada”, nota.

Obras estarão para ficar

Inicialmente, e segundo avança fonte da autarquia, o depósito da colecção SEC em Aveiro era composto por 263 obras, contemplando pintura, fotografia, escultura, cerâmica artística e técnica mista. Em 2015, foram cedidas várias obras para integrar uma exposição no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, mas das obras emprestadas três permaneceram em Lisboa, na residência do primeiro-Ministro, por decisão da Direcção-Geral do Património Cultural, assegura a mesma fonte. Ou seja, neste momento estão em Aveiro 260 obras. E estarão para ficar, segundo acredita o presidente da câmara municipal.

Não obstante as críticas que chegaram a ser levantadas por causa da dispersão das obras da colecção SEC – maioritariamente repartida por três instituições: Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Museu de Serralves e município de Aveiro -, tudo leva a crer que o acervo que está em depósito no museu aveirense ali se mantenha. O protocolo assinado, em 2006, entre a tutela, o município e a universidade, “mantém-se em vigor”, afiança Ribau Esteves. “Tem várias cláusulas não cumpridas, mas isso é outra questão”, acrescenta, escusando-se a especificar quais.

A única alteração na gestão do acervo depositado em Aveiro passará por “partilhar mais as obras com as pessoas”. Apesar de uma das salas de exposição temporária do Museu da Cidade – outra das unidades museológicas de Aveiro - exibir “com regularidade obras desta colecção”, a ideia passa por torná-las mais visíveis e com mais intensidade. “É um trabalho que estamos a fazer, no sentido de definirmos localizações definitivas – no sentido de um temporário mais longo -, alguns edifícios municipais, para acolher alguns dos quadros desta colecção de arte”, garante o autarca aveirense.