Aveiro vai finalmente mostrar obras da “Colecção SEC”

Projecto “Avenida das Artes” foi abandonado mas a câmara promete anunciar, em breve, novidades sobre a localização da exposição. Em causa, estão obras de arte contemporânea entregues à autarquia em 2006.

Casa, arquitetura, trem
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O projecto da “Avenida das Artes” transformava a antiga estação da CP em núcleo de arte contemporânea. Mas agora o seu futuro será outro Nelson Garrido

O presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Ribau Esteves, garante já ter encontrado uma “solução de localização” da colecção de obras de arte contemporânea entregues a Aveiro, em 2006, e promete anunciá-la em breve. Sem revelar pormenores, o autarca adianta apenas que o processo está a ser desenvolvido no âmbito da parceria estabelecida com a Fundação de Serralves - o município aderiu ao Conselho de Fundadores. Com essa certeza: o futuro desse conjunto de obras - provenientes da chamada “Colecção SEC” - não passará pela antiga estação ferroviária de Aveiro, como chegou a ser equacionado no passado.

Aquele que chegou a ser conhecido como o projecto da “Avenida das Artes” apostava na transformação da antiga estação da CP em núcleo museológico de arte contemporânea — que se prolongaria por outros espaços expositivos da Avenida Dr. Lourenço Peixinho. O projecto “desenhado” pelo anterior executivo camarário acabou por nunca avançar devido ao sucessivo adiamento da recuperação da antiga estação.

Recentemente, foi dado um passo decisivo para a reabilitação daquela estrutura — a câmara lançou, há pouco mais de um mês, o concurso público para a obra — mas os planos da actual maioria PSD

CDS-PP para o imóvel não englobam esse conjunto de obras. Tanto mais porque, assegura o autarca, a tipologia do imóvel da antiga estação nem sequer permitiria a exposição “da esmagadora maioria das obras desta colecção”, uma vez que elas são “de grande formato”. Em causa estão obras de artistas como Julião Sarmento, Vieira da Silva, Cândido Costa Pinto, Carlos Botelho, Carlos Calvet e Catarina Baleiras, conforme chegou a ser anunciado pela antiga vereadora da Cultura da câmara de Aveiro (2009-2013), Maria da Luz Nolasco.

Este conjunto que está entregue a Aveiro — ao abrigo de um protocolo assinado pelo Ministério da Cultura (na altura liderado por Isabel Pires de Lima) com a autarquia e que envolvia, também, a Universidade de Aveiro — faz parte dessa colecção constituída por aquisições feitas pelo Estado ao longo de 32 anos. Umas através da antiga Secretaria de Estado da Cultura (1975 a meados da década de 1990), outras através do extinto Instituto de Arte Contemporânea (1996 a 2003).

Na altura em que foi assinado o protocolo, chegou a falar-se num total de 300 obras, mas a verdade é que o conjunto nunca foi exibido, na sua totalidade. Foram expostas apenas algumas das obras, em mostras que foram decorrendo em vários espaços da cidade. E a verdade é que, nos últimos anos, nunca mais se ouviu falar do espólio entregue a Aveiro, numa decisão que, tal como o PÚBLICO noticiou, chegou a motivar críticas, nomeadamente por parte da direcção do Museu do Chiado.

Só no final do ano passado, quando a câmara de Aveiro deu nota da sua adesão ao conselho de fundadores da Fundação de Serralves é que voltou a falar-se nesse conjunto de arte contemporânea. “No âmbito desta nova relação com a Fundação de Serralves”, fez saber, na ocasião o presidente da edilidade, será realizada uma exposição que “terá como base a arte contemporânea, utilizando a colecção de que a CMA [câmara municipal de Aveiro] é detentora”.

Só no final do ano passado, quando a câmara de Aveiro deu nota da sua adesão ao conselho de fundadores da Fundação de Serralves é que se voltou a falar nesse conjunto de arte contemporânea. “No âmbito desta nova relação com a Fundação de Serralves” fez saber, na ocasião o presidente da autarquia, será realizada uma exposição que “terá como base a arte contemporânea, utilizando a colecção de que a CMA [câmara municipal de Aveiro] é detentora”. Em breve saber-se-á onde.

Estação será sala de visitas

Abandonada a ideia de transformar a antiga estação da CP — imóvel conhecido pelos seus painéis azulejares datados de 1916 — num elemento-chave desta esposição, os planos da actual maioria passam por transformá-la numa sala de visitas da cidade. Segundo o presidente da Câmara, Ribau Esteves, no rés-de-chão do edifício, que tem vindo a acusar alguma degradação, está prevista uma loja de produtos identitários em ambiente musealizado. Esta sala de visitas da cidade, para quem a ela acede de comboio, apresentará ao público três produtos: ovos moles, sal e vinhos e espumantes da Bairrada.

O primeiro piso será ocupado com salas multifunções para exposições, reuniões de empresas e actividades culturais e o segundo piso será uma área administrativa.

Segundo o autarca, o projecto, da autoria do arquitecto João Mendes Ribeiro, caracteriza-se por uma grande minúcia porque implica a reabilitação dos painéis de azulejos que caracterizam a antiga estação, bem como a adaptação aos padrões de conforto actuais de um edifício velho. Com Carlos Cipriano