Crónica

Palavras, expressões e algumas irritações: passado

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Brasil, ardeu recentemente. Não é preciso ser-se historiador para valorizar o “intervalo de tempo que, na ordem cronológica, antecede o presente”.

Todos temos um “passado” (melhor, dois: pessoal e colectivo). Entre vários registos dos dicionários, comecemos por estes, para o descodificar: “O tempo que passou, os tempos idos” e também “a memória colectiva dos acontecimentos”.

Há ainda a frase “honrar gerações passadas”. Essa será uma das funções dos museus. Pelo menos dos que tentam preservar a história e a memória do mundo. E de todos nós.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Brasil, ardeu recentemente. Não é preciso ser-se historiador para valorizar o “intervalo de tempo que, na ordem cronológica, antecede o presente”.

Notícia de segunda-feira, “O incêndio do Museu Nacional do Rio foi ‘a queima de 200 anos de História’”: “Uma ‘perda traumática’, ‘absoluta e irremediável’, ‘irreparável’, ‘uma tragédia’, ‘uma vergonha internacional’ – foi assim que os investigadores, historiadores, antropólogos brasileiros e portugueses ouvidos pelo PÚBLICO descreveram o impacto do incêndio que, desde o final de domingo (19h30 no Rio, 23h30 em Lisboa) e até metade do dia de segunda-feira, destruiu quase totalmente o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, edifício histórico com 200 anos, reduzindo a cinzas colecções únicas e insubstituíveis.”

PÚBLICO -
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João Catarino

Rui Tavares, no texto “Brasil: o gigante a quem ardeu o passado”, lembrou: “Isto não deixa de ser verdade por ser uma banalidade: tratar melhor o seu passado ajudaria o país a tratar melhor o seu presente e o seu futuro.”

O dicionário sugere também, para o vocábulo “passado”, “período da vida de uma pessoa ou de uma instituição, com todos os acontecimentos e vivências”. E dá dois exemplos, “uma instituição com um passado riquíssimo”, que se adequa ao museu, e outro ao contrário, “ela prefere esquecer o passado e voltar-se para o futuro”. Quase nunca é fácil.

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO