Izanagi: nasceu um japonês com um toque contemporâneo nas Docas

O nome do restaurante é uma homenagem a uma divindade do xintoísmo, a que criou os elementos. O convite é para que se partilhe.

Fotogaleria
Cátia Barbosa/Edições do Gosto
Fotogaleria
Cátia Barbosa/Edições do Gosto
Fotogaleria
Cátia Barbosa/Edições do Gosto
Fotogaleria
Cátia Barbosa/Edições do Gosto
Fotogaleria
Cátia Barbosa/Edições do Gosto

Sushi, sashimi… há um léxico da comida japonesa que já entrou no vocabulário português. Mas, à medida que o tempo vai passando e que novos restaurantes abrem as suas portas, também nos vamos apercebendo que há vida para lá do peixe cru. O restaurante Izanagi vem mostrar isso mesmo, com uma homenagem a uma cozinha de grelhados, de quentes, ou seja, à chamada street food do Império do Sol Nascente, mas com um toque do chef Daniel Rente e da sua equipa. O restaurante abriu há pouco mais de um mês na Doca de Santo Amaro, em Alcântara, Lisboa, um espaço para o qual o desejo é que recupere o brilho que teve na década de 1990. Afinal, ali vão surgir novos projectos e até um hotel.

O Izanagi faz parte do grupo Sushi Café, conhecido pelos seus restaurantes de comida asiática – dos que têm o mesmo nome ao Soi, ao Asian Lab ou ao EsteOeste –, mas que brevemente vai abrir um italiano, o Mano a Mano, também em Lisboa. A aposta tem sido na capital e com o Izanagi o objectivo é sair da rota onde os turistas estão mais concentrados, do Bairro Alto ao Cais do Sodré, passando pela Baixa e pelo Chiado. A ideia de abrir nas Docas, como é conhecida a zona, foi para chegar a outros públicos, por exemplo, ao que vem da Linha de Cascais, mas foi também para fazer parte de um grupo de pioneiros que querem revitalizar a zona, voltar a dar-lhe a vida que teve outrora, explica Gonçalo Salgado, um dos sócios do grupo, aos jornalistas convidados para experimentar a carta e conhecer o conceito.

“Avançamos pelo desafio de reabilitar as Docas”, confessa. “Para quem vive em Lisboa, faz falta vir para o rio. Estamos aqui numa ilha – no mau sentido – entre o centro da cidade e Belém e a nossa ideia é aproveitar e participar na reabilitação”, justifica, referindo-se a outros projectos que estão já em construção, como o Hospital da Cuf ou um futuro hotel do grupo Pine Cliffs, ou outro que surgirá uns edifícios mais à frente ali nas Docas, para onde o grupo transferiu os seus escritórios, que funcionam no mesmo armazém que o Izanagi. A revitalização do espaço, Gonçalo Salgado sabe, será um projecto “a longo prazo”. “Temos um contrato de arrendamento de 10/15 anos, agora queremos participar”, diz. E o primeiro passo será dado na sua própria casa, tornando o Izanagi “um destino”. Depois o grupo está disponível para colaborar com outros operadores e com o Porto de Lisboa para reabilitar a zona, acrescenta.

E o que é que o Izanagi tem de diferente? A comida. Inicialmente pensou-se que poderia ser mais um restaurante com o conceito do SushiCorner, presente em cinco espaços comerciais, com uma carta acessível para quem anda de um lado para o outro, às compras. “Mas achei que não fazia sentido, era importante fazer uma coisa diferente”, conta o chef Daniel Rente, responsável pela carta. “Pensamos fazer um restaurante como o que tínhamos visto no Japão há um ano, montar um conceito de street food e comida tradicional, com grelhados, comida na chapa, coisas simples e bem feitas”, descreve. O cognome do Izanagi é “cut the obvious” porque a ideia é “cortar o cordão umbilical do SushiCafé". "Vamos fazer de maneira diferente, não tanto como o receituário, mas à nossa maneira”, acrescenta.

PÚBLICO -
Foto
O chef Daniel Rente comanda a cozinha do Izanagi Cátia Barbosa/Edições do Gosto

A proposta é que seja uma comida para partilhar. Por isso, a carta não é demasiado extensa e poderá mudar com alguma frequência. Uma das estrelas é o okonomiyaki, a panqueca japonesa que por lá é feita à frente do cliente, numa chapa quente, e por cá também, se o cliente espreitar para a cozinha aberta que está do lado esquerdo do restaurante. Ao fundo está o bar onde há cocktails de assinatura e onde as bebidas japonesas se destacam. “O okonomiyaki é a panqueca ou a pizza japonesa que leva farinha de ovo e à qual adicionamos mais ovo, legumes, camarão, bacon, queijo… Lá toda a gente faz de maneira diferente e cá também fazemos à nossa maneira”, descreve o chef.

E o “à nossa maneira”, repetido muitas vezes ao longo do almoço com os jornalistas, é indo buscar outras influências asiáticas, mas também sul-americanas, como se vê no tuna chimichurry (8,95 euros), em que ao tataki de atum foi acrescentado um milho sul-americano; ou na robata mix, onde os espargos são servidos numa espécie de espetada, envolvidos em pancetta e cozinhados na grelha. Mas “à nossa maneira” também é sinónimo de criatividade, como as sobremesas da autoria de José Barros, o miso cheesecake (4,50 euros) feito com bolacha Maria, maçã que foi assada em moscatel Favaios e com caramelo miso e a freaky asian banana (4,50 euros), onde há banana frita em tempura, caramelo miso, mas também gelado de baunilha com crumble de Nestum e M&M’s.

Quanto ao nome, Izanagi é uma divindade do xintoísmo, a que criou os quatro elementos, terra, ar, água e fogo. Nas Docas, os elementos estão todos representados, a terra, o ar, a água do Tejo e o fogo dos fogões, da chapa, do grelhador do novo restaurante japonês para ir com os amigos, mas também em família.