17•56 é o novo centro de visitas da Real Companhia Velha à beira-rio

Museu e enoteca são as novas apostas da empresa. No mesmo espaço, conta-se a história da 1.ª Demarcação do Douro e podem provar-se os melhores vinhos nacionais e internacionais. Tem abertura oficial marcada para esta quinta-feira.

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Pedro Silva Reis, presidente da Real Companhia Velha, chama-lhe um “regresso às origens”. E é mesmo. O 17•56 Museu e Enoteca é o novo centro de visitas da companhia e fica mesmo ali, no Cais de Gaia. Tem abertura oficial marcada para esta quinta-feira; o público em geral pode visitá-lo a partir de domingo, 2 de Setembro.

Entrar no número 44 da Rua de Serpa Pinto é como fazer uma viagem no tempo, no mesmo espaço onde funcionaram os armazéns da companhia até ao final dos anos 1980. O nome não esconde, por isso, nenhum segredo: é uma referência ao ano de instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro e ao início da Primeira Demarcação do Douro.

A viagem é conduzida por Pedro Silva Reis, que começa por frisar isso mesmo: “Não somos mais um museu de umas caves ou uma alternativa a visitar outros museus de caves, somos o museu da Primeira Demarcação, que acontece estar ligada à história da Real Companhia Velha”.

O espaço, amplo, moderno e elegante, ocupa cerca de três mil metros quadrados e divide-se em dois pisos. O Museu da Primeira Demarcação fica no primeiro, lado a lado com uma loja de vinhos e uma sala de provas. “Oh meu Deus, esta Companhia é mais antiga que o meu país!”, lê-se à entrada do museu. O comentário pertence a um embaixador dos Estados Unidos em visita à Real Companhia Velha na década de 1970.

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A partir daí, a história do Douro, a mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo, é contada em sete capítulos e indissociável da história da companhia com 262 anos. Começa, claro está, nas origens da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, constituída com vista à regulação da produção e comércio do vinho do Porto, à demarcação daquela região vinhateira e à fixação de preços. Nos expositores, encontramos instrumentos agrícolas, como uma sachola de bico, uma enxada de ganchos, uma tesoura de poda ou um picareto, mas também um garrafão e cesto vindimo (não fosse o vinho o protagonista).

A segunda paragem é dedicada às personalidades que fazem parte da história da companhia, dos primeiros presidentes aos mais recentes, sem esquecer o rei D. José I  e o marquês de Pombal, “figura incontornável da fundação da companhia e de uma boa parte da história do Douro”. O Alvará Régio, assinado pelo rei a 10 de Setembro de 1756, surge na terceira paragem, a era majestática. É a versão original, mas nem por isso os visitantes deixam de o poder ler e folhear. O museu disponibiliza duas versões digitais, uma para crianças e outra para adultos.

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A viagem prossegue pela transformação do território e pelo impacto que a Real Companhia Velha teve no ensino da cidade do Porto, passando pela presença comercial da companhia no mundo e pela evolução da identidade da marca. No percurso, encontramos um dos 335 marcos utilizados para delimitar a região, o mapa original da primeira demarcação e uma garrafa que data de 1756.

O museu, com uma forte componente tecnológica e interactiva, está aberto todos os dias da semana, entre as 10h30 e as 19h. A entrada custa 15 euros e inclui uma prova de vinhos.

No segundo piso, localiza-se a Enoteca, que alia o vinho à gastronomia, mas também aos charutos (mas já lá vamos). O espaço contempla uma adega, uma queijaria com uma selecção de 50 queijos nacionais e internacionais, que podem ou não ser consumidos no local, e uma sala destinada aos amantes de charutos. “Os fumadores de charutos são enxotados de todo o lado”, brinca Pedro Silva Reis. “Somos a cidade do vinho do Porto e não temos nenhum local onde um turista ou um amante de charutos possa fumar um charuto ao mesmo tempo que bebe um vinho do Porto”, nota.

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Para além dos vinhos da Real Companhia Velha, os visitantes poderão também provar os vinhos nacionais e internacionais que compõem a carta com mais de 500 referências. “Os 50 melhores produtores nacionais estarão presentes com o seu melhor vinho. O objectivo não é ter os vinhos comerciais, mas sim o melhor que cada um nos pode trazer, para que a carta seja elitista e mostre o que de melhor se faz no país”, acrescenta o actual presidente.

Na Enoteca, que funciona diariamente das 11h às 23h, a oferta gastronómica é variada. Há peixes e mariscos, uma steakhouse, com carnes maturadas e sandes gourmet, a cargo do Reitoria, e ainda o Shiko, um raw bar, de inspiração japonesa. “Não pretendemos sair da nossa rota gastronómica, temos cozinha tradicional portuguesa na ementa disponível, mas temos também essa veia cosmopolita, no sentido de ir ao encontro das tendências gastronómicas e mostrar a compatibilidade dos nossos vinhos com esse tipo de gastronomia”, explica Pedro Silva Reis

O espaço, com lotação para 190 pessoas, tem ainda duas salas privadas e um terraço, onde os visitantes podem beber um copo de vinho e desfrutar de uma vista panorâmica para a cidade do Porto. O preço médio por casal ronda os 25 euros.

Texto editado por Sandra Silva Costa