Nos bastidores de Locarno, Portugal está contente

Campo e Viveiro ganharam as bolsas de pós-produção na secção First Look, mas todos os projectos nacionais que estiveram no festival falam de uma experiência positiva e de objectivos alcançados.

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Viveiro, de Pedro Filipe Marques, ganhou os segundo e terceiro prémios do programa First Look DR

Foram seis os projectos portugueses em fase de finalização mostrados em Locarno a agentes de venda, programadores e produtores internacionais no âmbito da iniciativa First Look, cujo júri (composto por Janet Pierson, do South by Southwest, Eva Sangiorgi, da Viennale, e José Luis Rebordinos, de San Sebastián) estava encarregue de atribuir três bolsas de pós-produção ao(s) filme(s) com maior potencial. Unanimemente, os produtores nacionais presentes falam ao PÚBLICO do First Look como uma experiência positiva e saem de Locarno com expectativas internacionais, mesmo que a maior parte do trabalho de contactos e negociações se inicie verdadeiramente agora.

Campo, documentário de Tiago Hespanha rodado à volta do Campo de Tiro de Alcochete, traz do festival o principal prémio First  Look – 65 mil euros em serviços de pós produção patrocinados pelo estúdio romeno Cinelab Bucharest. O filme foi apresentado numa montagem praticamente concluída, mas Hespanha diz que o prémio e "a boa reacção ao filme" lhe dão "condições e força para o terminar melhor”. João Matos, da Terratreme Filmes, a produtora, explica ao PÚBLICO que a bolsa de pós-produção permitirá “fazer uma série de pequenos retoques" em segurança, "tendo em conta a montagem financeira e o planeamento”. E avança que “vários profissionais demonstraram um interesse que se virá a efectivar nas próximas semanas – distribuidores internacionais, programadores de festivais e responsáveis por canais de televisão estrangeiros”.

O novo documentário de Pedro Filipe Marques, Viveiro, sai com o segundo e terceiro prémios do First Look (num total de 10.600 euros em publicidade e design gráfico) e “boas expectativas para o futuro”, como Luís Urbano, da produtora O Som e a Fúria, diz ao PÚBLICO. “De todos os projectos apresentados, era o filme que estava mais distante da sua montagem final, pelo que as boas perspectivas serão (ou não) concretizadas mais tarde. Em todo o caso, o filme está sinalizado internacionalmente, quer em termos de festivais quer em termos de distribuição, pelo que cumprimos plenamente os nossos objectivos.”

PÚBLICO -
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Golpe de Sol, de Vicente Alves do Ó, traz de Locarno um contrato de distribuição internacional assinado com um agente de vendas italiano DR

Entre os outros projectos apresentados, Golpe de Sol, de Vicente Alves do Ó, recebeu feedback que, segundo a produtora Pandora da Cunha Telles (Ukbar Filmes), permitirá “trabalhar sobre uma nova versão da montagem”. O filme, que estreará em 2019 pela Nos, traz do festival contrato de distribuição internacional assinado com o agente de vendas italiano The Open Reel, com que a produtora já tinha trabalhado no anterior Al Berto (“que se estreará em sala em França e na Alemanha antes do fim do ano”). Para Rossana Torres, que apresentou Terra, co-dirigido com Hiroatsu Suzuki, “ainda é cedo para poder avaliar o resultado efectivo desta ida: "Aguardamos ainda outras reacções.” Rodrigo Areias (Bando à Parte), que mostrou Hálito Azul, recebeu “propostas de agentes de vendas, ainda sem nada fechado, e interesse de programadores de festivais", mas acima de tudo, diz, "foi bastante interessante ouvir o feedback que irá ajudar a fechar o filme”.

Nuno Bernardo, que levou ao First Look Gabriel (estreia em 2019 pela Nos), considera a presença em Locarno “muito positiva” e diz que “o objectivo principal está praticamente alcançado: firmar acordo de distribuição internacional e conseguir estrear o filme num festival internacional de primeira linha”. “Estamos a considerar algumas ofertas recebidas nos últimos dias e a aguardar respostas de agentes de vendas que demonstraram interesse em distribuir,” refere o produtor da beActive. “Além disso, recebemos duas ofertas de dois festivais internacionais para a estreia mundial do Gabriel. E aproveitámos para apresentar o nosso próximo projecto, O Colégio, a agentes de vendas. O próximo passo será participar em fóruns de co-produção, começando já em Setembro em San Sebastián.”

O PÚBLICO está em Locarno a convite do Festival de Locarno