Bombeiros profissionais dizem que “ninguém se entende” e pedem mudança de estratégia

Fernando Curto espera que mudança de comando tenha resultados positivos no combate às chamas em Monchique.

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Incêndio em Monchique já dura há cinco dias Rui Gaudêncio/PÚblico

Uma “estratégia e táctica” que “não estão a dar resultados”, “má coordenação de homens e meios” e uma “desorganização total em que ninguém se entende” – Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), não poupa nas críticas à forma como têm sido combatidos os incêndios em Monchique e espera que, com a passagem do comando da Protecção Civil distrital de Faro para a estrutura nacional, “tudo possa mudar”.

Os representantes dos bombeiros profissionais — ANBP e Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP) — pediram na segunda-feira uma audiência “muito urgente” com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, para questionar por que se voltaram a ter fogos com duração de vários dias, estando tantos meios de combate envolvidos.

“A estratégia e a táctica estão erradas. No ano passado, dizia-se que não havia meio;, este ano há meios e não se consegue controlar os meios”, disse Fernando Curto ao PÚBLICO.

O presidente da ANBP defende que as aeronaves deveriam despejar sobre as chamas uma mistura de água e líquidos retardantes e que, no terreno, se deveria estar a desbastar árvores para que os sapadores possam ter acesso às chamas, e diz não entender por que “nada disto está a ser feito”.

“Assistimos a um incêndio na serra de Monchique que envolve mais de um milhar de operacionais, mais duas centenas de veículos, 13 aeronaves e um número considerável de máquinas de arrasto e não se consegue controlar fogo ao fim de cinco dias? A explicação só é uma: o combate está a ser mal feito”, acrescenta.

Fernando Curto espera que a passagem do comando do combate ao incêndio para a estrutura nacional da ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil), anunciada pelo ministro da Administração Interna nesta terça-feira, “leve a uma mudança na estratégia” de ataque às chamas.

“Não queremos que seja tarde de mais. Nem queremos que haja mais nenhum ‘Pedrógão’ ou ‘Góis’, ou mais nenhuma população em perigo, ou mais nenhuma morte de civis ou bombeiros, e por isso pedimos uma reunião urgente ao ministro da Administração interna”, acrescenta Curto.

O ministro ainda não respondeu aos bombeiros profissionais, mas, confrontado nesta terça-feira com os reparos dos bombeiros, disse “que o tempo é de combate e não de críticas”.