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St Germain: “Em palco sou uma espécie de maestro”

St Germain regressou aos discos em 2015, depois de 15 anos de silêncio. Quisemos saber o que o cabeça-de-cartaz do Neopop andou a fazer durante esse período e o que reserva o futuro.

Depois de 15 anos anos de relativo silêncio editorial, Ludovic Navarre, o produtor francês mais conhecido como St Germain, regressou em 2015 com um álbum homónimo. O mesmo que agora, passados três anos, traz ao Neopop, naquele que promete ser um dos pontos altos desta edição, logo a 8 de Agosto, no arranque do festival. Para a organização, será a concretização de um sonho antigo. Mas que durante alguns anos pareceu inatingível.

St Germain não deu sinais de vida musical durante quase uma década. Até que em 2014 remisturou uma faixa de Gregory Porter para a Blue Note, a mesma editora que em 2000 tinha editado o seu segundo álbum, Tourist, um cruzamento de jazz e electrónica relaxada que vendeu quatro milhões de cópias. Um sucesso.

É difícil resistir a perguntar-lhe por que razão passou tanto tempo sem nos dar música. “Lancei o Tourist no ano 2000 e dei 250 concertos num espaço de dois anos e meio. E ainda produzi o disco do Soel, o trompetista que me acompanhou em digressão”, responde, em entrevista por email ao P3. “Depois disso precisei de parar um bocado.”

A ideia era regressar ao estúdio após essa pausa e fazer um disco num instante, no entanto não foi isso que aconteceu. “Comecei a trabalhar num álbum em 2006, com os mesmos músicos com quem andava a tocar, mas não fiquei satisfeito”, explica. “Deitei tudo fora e comecei a ouvir músicas de outros lados, da Nigéria, do Gana, do Mali.”

De tudo o que escutou durante esse período, a música maliana foi a que mais o marcou: “A música do Mali lembra-me blues, que é basicamente o que mais gosto de ouvir. Além disso, adoro o som dos instrumentos tradicionais”. Eventualmente, entrou em contacto com músicos do Mali radicados em Paris. Estavam lançadas as bases para o terceiro disco.

St Germain é diferente dos anteriores discos do produtor francês, mas não tanto quanto pode parecer à primeira. O jazz que estava na base do seu trabalho de produção e corta-e-cola electrónico foi substituído por música maliana, todavia há pontos de contacto com o que veio antes.

“Continuo a trabalhar da mesma maneira. Nada mudou. A diferença é que os instrumentos são outros”, sumariza. “Normalmente gravo todos os artistas separadamente, e quando tenho as gravações dos músicos e dos cantores volto a trabalhar em estúdio, sozinho.” Juntando e a baralhando tudo pela noite dentro, “quando o som do silêncio é o único que se ouve lá fora”.

A 8 de Agosto, no Forte de Santiago da Barra, em Viana do Castelo, vamos ouvir o resultado desse trabalho, a meio caminho entre a electrónica e as músicas do mundo. Ludovic Navarre partilha o palco com mais cinco músicos munidos de guitarra, teclados, sopros, instrumentos tradicionais do Mali e de percussão. “Em palco sou uma espécie de compositor ou maestro, fazendo a ponte entre os músicos e a electrónica. Tocamos um par de canções de Tourist e muitas do novo disco.”

Depois da digressão, o produtor francês quer começar a trabalhar no quarto álbum. “Assim que acabar volto para o estúdio. Espero lançar um novo disco no próximo ano.” Perguntamos se o som vai voltar a mudar radicalmente. Ele não responde.

Artigo apoiado pelo festival Neopop