Lula coordena isolamento de Ciro Gomes nas eleições brasileiras

Acordo entre Partido dos Trabalhadores e Partido Socialista do Brasil prejudica candidato de centro-esquerda e poderá beneficiar Geraldo Alckmin (centro-direita) ou Jair Bolsonaro (extrema-direita).

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Adriano Machado/REUTERS

O Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula da Silva, o antigo Presidente actualmente preso, negociou um acordo de neutralidade com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que acabará com rivalidades entre os dois nas próximas eleições de Outubro.

O acordo, que segundo o diário Folha de São Paulo foi coordenado pelo próprio Lula da Silva, tem consequências também a nível de estados: o PT retira uma candidata que ameaçava o governador de Pernambuco do PSB; o PSB não concorrerá contra o governador do PT em Minas Gerais.

Em relação à presidência, o PSB não vai apresentar nenhum candidato, e o acordo com o PT faz com que não vá apoiar ninguém. Isto prejudica directamente a candidatura de Ciro Gomes (centro-esquerda, ligado ao Partido Democrático Trabalhista) que esperava contar com o apoio dos socialistas e o seu tempo de antena.

O acordo ainda tem de ser ratificado pelo PSB numa convenção este domingo.

Se confirmado, também indica que a esquerda entra dividida na eleição: o que poderá acabar por beneficiar Geraldo Alckmin (Partido da Social-Democracia Brasileira) e Jair Bolsonaro (antigo militar defensor da ditadura, concorre pelo Partido Social Liberal).

Ciro Gomes criticou Lula por não o apoiar como uma alternativa para os progressistas brasileiros e insistir em manter-se candidato mesmo que na prisão. Espera-se que Lula seja nomeado o candidato do PT na convenção do partido, no sábado, mesmo que depois não possa fazer campanha e o mais certo é que seja impedido de concorrer por ter sido condenado por corrupção (no âmbito da chamada lei da "Ficha Limpa").

Espera-se que Lula nomeie um substituto em meados de Setembro – aponta-se para Jaques Wagner (antigo governador da Bahia e ex-ministro da Defesa) ou Fernando Haddad (antigo prefeito de São Paulo) como possíveis candidatos.

Para a Folha de São Paulo, a acção “abre espaço a uma candidatura mais competitiva do PT”, e “nos cálculos de Lula, a eleição será novamente polarizada entre direita e esquerda e só há espaço para um nome em cada campo”.