Sem poder confiar no amigo americano, UE vira-se para a Ásia

Comércio está na linha da frente da cooperação europeia com a China e o Japão, mas cada vez mais outros temas entram na agenda.

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Donald Tusk e Jean-Claude Juncker em Pequim com o primeiro-ministro Li-Keqiang Thomas Peter/REUTERS

Enquanto em Helsínquia os Presidentes Donald Trump e Vladimir tentavam inverter a lógica das alianças ocidentais, os líderes da União Europeia ensaiavam a sua nova estratégia para fugir ao proteccionismo dos Estados Unidos e a agressividade da Rússia. O caminho passa pela Ásia: pela China, onde Jean-Claude Juncker e Donald Tusk estiveram esta segunda-feira, e também pelo Japão, onde aterram terça-feira para assinar um acordo comercial que permitirá às empresas europeias poupar mais de mil milhões de euros em taxas alfandegárias.

Os presidentes da Comissão e do Conselho Europeu não só interiorizaram a velha máxima que diz que quando se fecha uma porta, abre-se uma janela, como parecem determinados em não desperdiçar a oportunidade oferecida pela actual crise transatlântica.

Se já não não podem (ou conseguem) confiar na estabilidade do aliado norte-americano, exploram outras vias. Assim se explica que, além de fortalecer a ligação comercial e promover investimentos entre a UE e a China e Japão, estejam a tentar forjar novos pactos políticos em defesa de um mundo multilateral (e liberal) que garanta a paz, segurança e o desenvolvimento sustentável.

“Sempre acreditei no potencial da parceria entre a UE e a China. E no actual estado do mundo, é mais importante que nunca”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ao lado do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em Pequim.

Essa cooperação e parceria entre Bruxelas e Pequim já vai muito além da gestão dos fluxos comerciais. A declaração conjunta assinada no fim da 20.ª cimeira UE-China refere consensos e compromissos em matérias que vão da guerra da Síria ao processo de paz no Afeganistão; do acordo nuclear com o Irão ao desarmamento da Coreia do Norte. E no fim, ainda há um anexo sobre o desafio das alterações climáticas e à aposta nas energias renováveis — o que Donald Trump recusa fazer.