Um museu nos Alpes para viajar com o Agente 007

As aventuras de James Bond podem ser vividas de forma imersiva no 007 Elements, que agora abriu na estância de ski de Gaislachkogl, na Áustria, onde foram rodadas cenas de Spectre.

Geologia, alpes, afloramento
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Museu foi construído no cume dos Alpes austríacos DANIEL KOPATSCH/ EPA
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Museu 007 Elements DANIEL KOPATSCH/ EPA
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Interior do museu DANIEL KOPATSCH/ EPA
Dispositivo de exibição
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Interior do museu,Interior do museu DANIEL KOPATSCH/ EPA,DANIEL KOPATSCH/ EPA
James Bond, série de filmes de James Bond
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Interior do museu DANIEL KOPATSCH/ EPA
Off-road, carro, jipe, corridas off-road
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Um dos carros da rodagem de Spectre DANIEL KOPATSCH/ EPA
Montanhismo, alpes
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Museu foi construído no cume dos Alpes austríacos DANIEL KOPATSCH/ EPA

A próxima aventura do agente secreto James Bond só vai chegar aos ecrãs lá para o Outono do próximo ano, agora pela mão de Danny Boyle e com aquela que será a quinta vez que Daniel Craig incarna a personagem de 007. Mas, até lá, os fãs da saga lançada há já seis décadas e meia – o primeiro filme, 007, Agente Secreto, é de 1962 – vão poder entrar de forma imersiva no mundo fantástico do mais conhecido espião "ao serviço de Sua Majestade" no museu que acaba de ser inaugurado nos Alpes austríacos.

O novo equipamento chama-se 007 Elements, e foi construído ao longo do último ano a cerca de 3500 metros de altitude, no sítio onde decorreu parte da rodagem do capítulo anterior da série, Spectre (2015), na estância de ski de Gaislachkogl, junto a Sölden, no Tirol.

Os espectadores amantes da saga lembrar-se-ão da longa sequência em que Bond encontra Madeleine (Léa Seydoux) numa clínica envidraçada no cume gelado dos Alpes. O 007 Elements foi construído mesmo ao lado desse edifício, que, na verdade, é o Ice Q, um restaurante futurista que tem em comum com o museu ter sido igualmente projectado pelo arquitecto austríaco Johann Obermoser, também autor das estações do teleférico local.

“Pensámos que associar este lugar excepcional com a marca mundial James Bond seria fantástico”, disse à AFP o empresário Jakob Falkner, um dos responsáveis pelo projecto, aquando da inauguração oficial do museu, no dia 12 de Julho.

007 Elements é, do ponto de vista construtivo, “uma proeza que o próprio James Bond não renegaria”, dizem os promotores, que avançaram com o projecto em parceria com a produtora britânica da série. A maior parte do museu foi escavada na rocha, “dentro da montanha, de forma a que se veja o mínimo de exterior”, explicou aos jornalistas Johann Obermoser. Visíveis, de fora, ficaram apenas as portas de entrada e de saída e uma varanda com uma vista soberba sobre a paisagem do Tirol.

“A ideia foi dar a sentir a violência da natureza no seu interior, de fazer sentir a pressão dos elementos”, acrescentou o arquitecto, explicando que a temperatura nas salas é negativa, para evitar o risco de degelo da montanha contígua, o que poderia provocar a desintegração do edifício.

Em dois níveis, distribuídos por uma área de 1300 metros quadrados, uma sequência de salas e túneis propõe ao visitante, em nove etapas, uma experiência “cinemática” e imersiva pelo imaginário da saga 007, reproduzindo em ecrãs gigantes cenas e sequências dos filmes que têm vindo a ser adaptados a partir do personagem criado por Ian Fleming no livro Casino Royale, editado em 1953.

Há também objectos, como pistolas de ouro, relógios, máquinas, carros-robô e até a carlinga de uma aeronave antiga utilizada numa cena de perseguição, e onde o visitante pode entrar para dar consigo suspenso numa janela com o abismo dos vales alpinos debaixo dos pés.

“Quisemos criar a sensação de se estar a viver o que se passa nos filmes através da arquitectura, do som, da luz, criando uma envolvência emocional”, disse aos jornalistas Neal Callow, director artístico dos últimos capítulos da saga – os mesmos que, precisamente, foram protagonizados por Daniel Craig (Casino Royale, Quantum of Solace, Skyfall e Spectre) –, e que, com o decorador Tino Schaedler, supervisionou a cenografia deste percurso.

Outra característica deste museu – sinal dos tempos – é a preocupação de revisitar o imaginário da série 007 de acordo com os valores actuais, deixando de fora as marcas sexistas e muitas vezes também racistas das histórias e do perfil do agente secreto, que, ao longo dos anos, foi sucessivamente personificado por Sean Connery, George Lazemby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan, antes de Craig.

“Queremos mostrar o legado dos filmes de uma forma moderna e politicamente correcta”, disse Neal Callow ao jornal The Times, justificando a exclusão de cenas ou referências a sequências como a da violação no filme 007 Contra Goldfinger (Guy Hamilton, 1964).

Construído em betão e pedra – que tiveram de ser transportados para o local de helicóptero, devido às dificuldades de acesso por estrada –, num lugar com uma atmosfera glaciar, o 007 Elements promete recriar “um ambiente digno de um verdadeiro agente secreto”, dizem os promotores.