Henry Nicholls/Reuters
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Megafone

O fim do Brexit

Condenado à partida, o Brexit veio legitimar o racismo e a xenofobia. Dois anos passados e ainda são muitas as bandeiras nas janelas — e não é por causa do mundial.

Não nos enganemos, e convém repetir, o voto no Brexit foi um e um só, contra os imigrantes, contra a diferença, a favor da discriminação e da perda de direitos, a favor do aumento das horas de trabalho e da precarização do emprego. 

Infelizmente, ou felizmente, foi também um voto contra a economia de um país alicerçado num capitalismo feroz, herança do "Thatcherismo", capitalismo esse indissociável de um mundo que se quer global nos dias de hoje e onde uma nação à deriva, qual jangada de pedra, por mais rica que seja, é uma nação condenada.

Porque, entretanto, temos a geografia, e enquanto não se consegue inventar o teletransporte, a Inglaterra estará sempre dependente desta Europa logo ali ao lado e onde os custos de um comércio global serão sempre superiores ao do mercado comum.

A juntar à economia e à geografia, temos o factor segurança, porque desde a venda de armas às guerras e revoluções desencadeadas no Norte de África e Médio Oriente, a Inglaterra precisa da Europa e a Europa precisa de Inglaterra como de pão para a boca, e quem anda à chuva molha-se, sem esquecer a fronteira entre as duas "Irlandas" e um conflito adormecido e tão recente. 

E depois temos a educação num país incapaz de produzir profissionais em número e qualidade suficiente para alimentar as empresas que aqui habitam mais o Estado, assim sublinhando a dependência em relação aos imigrantes que todos os anos tentam a sua sorte em terras de Sua Majestade. 

Condenado à partida, o Brexit veio legitimar o racismo e a xenofobia. Dois anos passados e ainda são muitas as bandeiras nas janelas — e não é por causa do mundial. Com a partida de figuras chave no Governo Inglês, como sejam David Davis ou Boris Johnson, ouvem-se já os sinos tocar a finados anunciando o fim do que nunca devia ter acontecido, mas aconteceu.

Resta-nos o bom senso, que já não há muito, e a esperança de ver chegar, finalmente, ao fim toda esta loucura. Porque, entretanto, temos todos medo, ao que parece sem razão, mas temos medo, não estamos no nosso país e não quisemos vir para aqui, tivemos de vir para aqui, construímos vidas e um futuro num país dito de primeiro mundo. Só não contávamos com a ignorância.