Divergência sobre “Brexit” leva Boris Johnson a demitir-se do Governo de May

Boris Johnson bate com a porta após a saída de David Davis, o ministro que tutelava a saída do Reino Unido da União Europeia, e do adjunto deste. "O sonho do 'Brexit' está a morrer", disse Johnson.

Boris Johnson, Brexit, Reino Unido
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ANDY RAIN/EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, apresentou a sua demissão, a terceira no Governo conservador de Theresa May no espaço de 24 horas.  

Eurocéptico e partidário do “hard ‘Brexit’”, Boris Johnson saiu do cargo depois de May ter conseguido aprovar um documento que propunha o “soft ‘Brexit’”, isto é, uma saída da União Europeia em que o país continuará integrado numa zona de comércio livre (mercado único) e com regras aduaneiras comuns.

No domingo à noite, David Davis, ministro que tutelava a pasta do “Brexit”, anunciou a saída do Governo, com o argumento de que tinha diferenças irreconciliáveis com o documento e a orientação política que May fez aprovar na sexta-feira, após uma reunião de 12 horas na casa de campo dos primeiros-ministros, Chequers. Com Davis saiu também o seu adjunto, Steven Baker.

Nesta segunda-feira de manhã, Downing Street anunciou que Dominic Raab transitaria da pasta da Habitação para o cargo anteriormente ocupado por David Davis.

O documento orientador que foi anunciado na sexta-feira foi mal recebido pelos deputados conservadores eurocépticos. O negociador-chefe da Comissão Europeia para o “Brexit”, Michel Barnier, disse no Twitter que iria “avaliar” as propostas de Londres para confirmar se são “viáveis e realistas”.

Seja qual for o acordo alcançado quer para a fase de transição, quer na consumação do “Brexit”, Bruxelas avisou já por várias ocasiões que o Reino Unido não pode escolher a fórmula de mercado único que entender, nem pôr em causa as quatro liberdades de circulação (pessoas, bens, serviços e capitais).

Num comunicado emitido por Downing Street (a sede do Governo), May agradece a Boris Johnson e a David Davis pelo trabalho no Governo. O documento diz que o sucessor do chefe da diplomacia será anunciado em breve.

A demissão de Johnson foi entregue a Theresa May pouco antes de a primeira-ministra falar no Parlamento, numa sessão destinada a dar explicações aos deputados sobre o acordo de sexta-feira que desagradou à ala eurocéptica dos conservadores. 

“Este é o ‘Brexit’ certo”, disse May no Parlamento, depois de ter defendido que houve “um debate nacional muito vivo sobre o ‘Brexit’, incluindo um forte debate” no Governo.

O líder da oposição, Jeremy Corbyn (Partido Trabalhista) respondeu a May: “O compromisso de Chequers demorou dois anos a ser alcançado, e em dois dias [fraccionou o Governo]”. “Há uma crise no Governo e o caminho do ‘Brexit’ ainda é incerto”, disse Corbyn, que acusou May e a sua equipa de não serem capazes de chegar a um bom acordo de saída da União Europeia.

Johnson já comentou a sua saída do executivo e fê-lo criticando a opção de May para com o "Brexit". "Adiámos decisões cruciais, incluindo as preparações para um 'Brexit' sem acordo". "O sonho do 'Brexit' está a morrer", acusou.