Há duas datas em cima da mesa para visita de Costa a Angola

O primeiro-ministro reuniu com o ministro das Relações Exteriores de Angola. A viagem de Costa a Angola entra em fase final de preparação.

Manuel Domingos Augusto entregou a António Costa uma carta de João Lourenço
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Manuel Domingos Augusto entregou a António Costa uma carta de João Lourenço LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O calendário da visita do primeiro-ministro, António Costa, a Angola ainda não está fechado, mas em cima da mesa estão já duas datas possíveis, ambas este ano, soube o PÚBLICO.

A visita deverá ser “muito brevemente”, assumiu o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto, quando falou aos jornalistas, nesta segunda-feira à tarde, ao lado do seu homólogo português, Augusto Santos Silva.

O governante angolano garantiu que o seu executivo deseja “reforçar e aprofundar” a relação com Portugal e afirmou: “Queremos que seja uma visita à altura das nossas relações e não apenas uma visita de trabalho.” Por sua vez, Santos Silva anunciou que “a visita terá uma forte componente económica”.

Destinada a selar a normalização de relações diplomáticas entre Lisboa e Luanda, a deslocação de António Costa foi um dos assuntos abordados na reunião, realizada em Lisboa, entre ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto, o primeiro-ministro português e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Depois da reunião de cerca de uma hora, António Costa comentou na rede social Twitter: “Recebi o ministro das Relações Exteriores de Angola num momento auspicioso para o relacionamento entre os nossos países com o retomar das visitas de alto nível. A minha visita a Angola renovará o dinamismo dos laços que unem Portugal e Angola, os nossos povos e empresas.”

No início da reunião, o ministro angolano entregou ao chefe do Governo português uma carta do Presidente da República de Angola, João Lourenço. O conteúdo da missiva não foi, porém, revelado. Manuel Domingos Augusto declarou apenas aos jornalistas que esta carta “é um sinal das boas relações” entre os dois países. Uma carta de idêntico teor, e enviada também por João Lourenço, foi entregue de seguida por Manuel Domingos Augusto ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, em audiência.

A fase final da preparação da viagem de António Costa a Luanda deverá envolver o novo embaixador de Angola em Lisboa, Carlos Alberto Saraiva de Carvalho Fonseca, que apresentará credenciais ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na quarta-feira à tarde.

“É outro o momento”

A visita do ministro angolano insere-se numa operação da diplomacia de Angola para, internacionalmente, divulgar os caminhos novos do país. “Porque é novo, é outro o momento que o país vive”, explica Caetano Júnior, director-adjunto do Jornal de Angola no editorial de segunda-feira. A este propósito, refere que a visita a Estrasburgo do presidente João Lourenço foi “um exercício primeiro de busca de credibilidade”.

O contraponto é feito com a presidência de José Eduardo dos Santos: “Angola e entidades que a lideraram ao longo dos anos são vistas, pelo Ocidente em geral, de soslaio, de ‘cenho franzido’, avaliação do que se pode chamar, com algum eufemismo, ‘gestão desequilibrada’ do país.” O articulista refere que o presidente de Angola informou dos actos para “melhorar a gestão, credibilizar a actividade do Ministério Público e conferir transparência à governação”. E defende o benefício da dúvida: “E é deste que o Chefe de Estado precisa, no mínimo. Que se lhe dê um pouco de espaço e de tempo.” Com Lusa