O mundo a caminhar para uma guerra comercial

Ao princípio ainda se pensava que pudesse ser apenas um bluff de Donald Trump, que dificilmente se concretizaria num país em que os dois grandes partidos (e principalmente o Republicano) são históricos defensores do comércio livre. Mas a verdade é que, passo a passo, a política proteccionista do presidente norte-americano está a ser passada à prática e a gerar reacções dos outros países que são em tudo semelhantes às registadas nas grandes guerras comerciais do passado.

Donald Trump, Estados Unidos
Foto
Reuters/LEAH MILLIS

Promessas de Trump
Durante a campanha eleitoral, a principal ideia de Donald Trump para revitalizar a economia norte-americana foi sempre a de alterar a relação de forças nas relações comerciais internacionais. Principalmente a China, mas também o México e a Alemanha, foram várias vezes apontados como países que se aproveitavam de acordos “injustos” assinados pelos Estados Unidos. E a saída de acordos multilaterais era também prometida.

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Painéis solares para começar
Depois de fazer parar definitivamente uma negociação comercial com a UE que já dava sinais de problemas, as primeiras medidas da administração Trump na área comercial demoraram algum tempo a chegar foram relativamente modestas. Em Janeiro de 2018, os EUA agravaram as taxas alfandegárias nas importações de painéis solares e de máquinas de lavar, uma área em que algumas empresas norte-americanas sentiam sérias dificuldades em competir com países como a China ou a Coreia. Os outros governos esperaram que os EUA ficassem por aqui.

Aço e alumínio penalizados
Em Março, contudo, outro sector, de maior peso, foi alvo de subidas de taxas alfandegárias pelos EUA. A taxa das importações de aço foi elevada para 25% e a do alumínio para 10%. Inicialmente contudo, os EUA isentaram a Europa, Canadá e outros países, dando-lhes um mês (e depois mais um) para apresentarem os seus argumentos. A 31 de Maio, a Casa Branca passou à prática a subida de taxas para todos os países, invocando questões de segurança, o que irritou ainda mais os seus parceiros tradicionais.

As primeiras retaliações
União Europeia, Canadá e México anunciaram rapidamente a intenção de retaliar contra as medidas dos EUA. No caso europeu, essa retaliação consumou-se no dia 22 de Junho, com a aplicaçãoo de taxas mais altas nas importações de 180 tipos de produtos provenientes dos EUA, alguns simbólicos, como as motos Harley-Davidson, o bourbon, ou as calças jeans.

China como principal alvo
Rapidamente, contudo, a administração Trump mostrou que é na China que tem o seu principal alvo e a 6 de Julho concretizou a imposição de taxas alfandegárias sobre importações chinesas, num valor calculado em 34 mil milhões de dólares (cerca de 29 mil milhões de euros). Para os próximos dias espera-se a imposição de novas taxas no valor de 16 mil milhões de dólares e a entrada em vigor de restrições ao investimento e à emissão de vistos para cidadãos chineses. A China tinha preparada uma resposta imediata envolvendo a subida de taxas em 545 produtos norte-americanos.

As medidas que se seguem
A UE, contudo, não está livre de voltar a ser um alvo. Donald Trump, assim que a Europa anunciou retaliações, deixou no ar a ameaça de subir as taxas alfandegárias sobre a entrada nos EUA dos automóveis dos outros países, convidando as empresas europeias a trazerem as suas fábricas para os EUA se quiserem evitar taxas. Neste momento, está a ser preparado um relatório sobre o assunto pelo Departamento do Comércio dos EUA e o anúncio de medidas pode estar para breve. Donald Trump também reagiu à retaliação chinesa com a promessa de aplicar taxas mais altas, não apenas a alguns produtos chineses, mas a todos.