Lifeline vai atracar em Malta e Itália recebe parte dos migrantes

Navio esperava há cinco dias autorização para atracar num porto europeu.

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O Lifeline tem 239 migrantes a bordo LUSA/Felix Weiss
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LUSA/HERMINE POSCHMANN / MISSION LIFELINE /

Malta irá abrir um porto para o navio Lifeline, onde estão mais de 230 pessoas resgatadas do Mediterrâneo por uma ONG alemã, num acordo com Itália em que Roma se oferece para receber uma parte dos migrantes a bordo, anunciou esta terça-feira o primeiro-ministro italiano.

O acordo põe fim a uma incerteza de cinco dias em que o navio aguardava por autorização para ancorar. Não é ainda certo quando chegará a Malta e que países receberão os migrantes – Portugal, Espanha e França já declararam abertura a acolher algumas pessoas.

Itália recusou, tal como tinha feito antes com o navio Aquarius, receber a embarcação, uma mudança de política desde a tomada de posse do Governo de coligação entre o partido anti-sistema 5 Estrelas e o de extrema-direita Liga, a que pertence o ministro do Interior, Matteo Salvini: o país anunciou que não receberia mais navios de organizações não-governamentais que resgatassem migrantes ou refugiados no Mediterrâneo dizendo que estes “criavam o caos”.

“Acabei de falar ao telefone com o Presidente [de Malta, Joseph] Muscat. O navio Lifeline vai atracar em Malta”, disse esta terça-feira Giuseppe Conte, primeiro-ministro de Itália, citado num comunicado.

O país “fará a sua parte e acolherá uma quota dos migrantes que estão no Lifeline com a esperança de que outros países europeus façam o mesmo”, continuou Conte, acrescentando que o navio ficará em poder das autoridades italianas e que o capitão será investigado para averiguar se ignorou instruções para deixar a guarda costeira líbia salvar as pessoas dos dois barcos em que seguiam e que estavam em apuros.

"Precisamos que recebam as pessoas"

A organização reagiu ao acordo entre Malta e Itália: “saudamos o apoio maltês, mas precisamos que países europeus recebam as pessoas”, dizia a Misson Lifeline no Twitter.

Alguns países anunciaram esta disposição: o porta-voz do Governo francês Benjamin Grieveaux insistiu que não havia qualquer “crise” mas pediu aos líderes europeus “que respondam com brevidade a uma situação urgente”. Paris, declarou, “está pronta para mandar uma equipa para o local para processar pedidos [de asilo] numa base individual”, como fez no caso do Aquarius após este ancorar no porto espanhol de Valência com 630 pessoas a bordo.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, mostrou disponibilidade de Madrid participar numa “resposta conjunta” mas avisou que para isso “é preciso que vários países participem”.

Portugal também já declarou disposição em receber algumas pessoas: o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, fez essa declaração numa audição no Parlamento, em Lisboa.

O acordo acontece depois de um grupo de deputados europeus terem visistado, na véspera, o navio. No grupo estava João Pimenta Lopes, do Partido Comunista Português, que descreveu “condições degradantes” e uma situação humanitária “dramática” a bordo do navio que, sublinhou, não foi feito para transportar tantas pessoas durante tanto tempo. Muitas pessoas estavam já “debilitadas e com pouca resistência física”.

A política de asilo e a crise migratória será debatida pelos Estados-membros da União numa cimeira nesta quinta e sexta-feira. A chanceler alemã, Angela Merkel, já avisou que não será possível ter um acordo global até sexta-feira.

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