Sarah Sanders foi expulsa de um restaurante e Trump já reagiu

Na sexta-feira à noite, a porta-voz da Casa Branca foi expulsa de um restaurante no estado de Virginia. No dia seguinte, reagiu na conta oficial do Twitter.

Sarah Huckabee Sanders, Casa Branca, Sala de Imprensa de James S. Brady, Secretária de Imprensa da Casa Branca, Conferência de imprensa
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REUTERS/Kevin Lamarque

Na sexta-feira, Sarah Sanders foi expulsa de um restaurante no estado da Virginia. A questão até poderia ter ficado por aí, mas no dia seguinte a porta-voz da Casa Branca decidiu pronunciar-se contra o restaurante, utilizando a sua conta oficial de Twitter. Donald Trump também quis entrar na discussão e criticou os "toldos, portas e janelas nojentos" do dito estabelecimento.

"Na noite passada, a dona do Red Hen em Lexington, no estado de Virginia, disse-me para sair porque eu trabalho para o @POTUS e eu saí educadamente. As suas acções dizem mais de si do que de mim. Eu faço sempre o meu melhor para tratar as pessoas, inclusive aquelas das quais discordo, com respeito e vou continuar a fazê-lo", escreveu Sanders no Twitter, este sábado.

A dona do restaurante, Stephanie Wilkinson, garante, segundo o Washington Post, que "faria novamente a mesma coisa". Apesar de tentar, em geral, evitar questões políticas e de ter pontos de vista diferentes de alguns dos seus clientes regulares, Wilkinson sente que "há momentos na vida em que as pessoas precisam de viver de acordo com as suas convicções".

Foram os comentários de Sanders em defesa da política de proibição de entrada das pessoas transgénero nas forças armadas norte-americanas que motivaram a decisão da dona do estabelecimento – onde trabalham vários funcionários LGBT –, como a própria esclareceu ao jornal. Estes ter-se-ão, inclusivamente, mostrado desconfortáveis com a ideia de servir Sanders.

De acordo com Walter Shaub, um antigo director do gabinete de ética do governo, aquilo que Sanders fez – usar "a sua conta oficial do governo para condenar um negócio privado por motivos pessoais" e "procurar coagir um negócio usando a sua posição para levar o público a pressioná-lo" – é uma clara violação das regras de ética. Em concreto, da secção "5 CFR 2635.702(a)", precisou no Twitter.

Menos produtiva para o debate, foi a reacção no Twitter de Donald Trump. "O restaurante Red Hen deveria focar-se mais em limpar os seus toldos, portas e janelas nojentos ([que] necessitam extremamente de uma pintura)", escreveu no Twitter o Presidente dos Estados Unidos da América. Já os utilizadores do TripAdvisor dão uma pontuação de 4,5 (numa escala de 0 a 5) ao restaurante, sendo que este tem até à data 273 avaliações.

Há inúmeros casos em que o próprio Trump quebrou as regras de ética antes mencionadas: quando atacou os armazéns Nordstrom por deixarem de vender a linha de roupa da filha, Ivanka; quando agradeceu a "Linda Bean, da [empresa de retalho de roupa] L.L.Bean" pelo seu apoio, a poucos dias da sua tomada de posse e quando decidiu lançar-se ao ataque da Amazon, por considerar que a empresa não paga impostos suficientes, numa sucessão de tweets, por exemplo. Isto para não falar do ataque constante a meios de comunicação como o New York Times, CNN e Washington Post –  este último, que o CEO da Amazon, Jeff Bezos, detém.

Notícia corrigida no dia 27 de Junho, às 17h49: onde se lia "com as quais discordo" lê-se agora "das quais discordo".