Harry Potter e The Band’s Visit vencem na noite em que DeNiro disse “Fuck Trump”

Anjos na América foi outro dos grandes vencedores dos prémios que distinguem o melhor teatro musical em cena nos EUA. DeNiro, convidado para apresentar Bruce Springsteen, fez o resto.

Robert De Niro, Prémio Tony, Estados Unidos, Anjos na América, 72 Prêmios Tony
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Robert DeNiro em palco LUCAS JACKSON/Reuters
Tiroteio Douglas High School, concerto, audiência
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Os alunos de Parkland LUCAS JACKSON/Reuters
Cantor e compositor, Concerto
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Springsteen interpretou My hometown LUCAS JACKSON/Reuters
A visita da banda, teatro musical
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O elenco de The Band’s Visit LUCAS JACKSON/Reuters
Radio City Music Hall, Prémio Tony, Anjos na América, Prémio
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Nathan Lane LUCAS JACKSON/Reuters
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Glenda Jackson JASON SZENES/EPA
Tony Kushner, Nathan Lane, Tina Fey, 72º Tony Awards, Anjos na América, Tony Award, Prêmio
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A equipa de Anjos na América LUCAS JACKSON/Reuters
Teatro musical
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Uma cena de The Band’s Visit LUCAS JACKSON/Reuters

O grande vencedor da noite dos prémios Tony, que distinguem o melhor do teatro musical em cena nos EUA, foi The Band’s Visit, sobre uma orquestra egípcia retida em Israel, e os nomes conhecidos premiados foram Andrew Garfield, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e Anjos na América. Mas um dos destaques da noite foi mesmo o palavrão endereçado por Robert DeNiro ao Presidente Donald Trump – “Fuck Trump”, bisou. Os alunos da escola de Parkland, atacada num tiroteio que marcou o debate sobre o controlo do acesso às armas nos EUA este ano, actuaram.

The Band’s Visit recebeu dez Tony, entre os quais o de melhor musical na Broadway e também os prémios de interpretação para os actores Tony Shaloub, Katrina Lenk e Ari'el Stachel. Só perdeu um dos 11 galardões para os quais estava nomeado.  

Angels in America, ou Anjos na América em português (a peça esteve parcialmente em Portugal em 1994 e foi adaptada para televisão pela HBO e exibida em Portugal no início dos anos 2000), voltou aos palcos depois da sua estreia em 1993 e o texto de Tony Kushner venceu na altura um prémio Pulitzer e agora o de melhor reposição, tendo também dado galardões de actuação a Andrew Garfield e a Nathan Lane. Os actores dedicaram os seus Tony à comunidade LGBT e a Kushner, cujo texto sobre a epidemia da sida nos anos 1980 e seus efeitos sociais deu origem à peça com mais nomeações da história da Broadway, como assinala o Guardian.

Mas foi o blockbuster Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, uma peça que continua a explorar o universo criado por J.K. Rowling em torno de um jovem feiticeiro em Inglaterra, que recebeu o Tony de melhor peça e outros seis galardões. A peça, elogiada pela crítica, bateu recordes de bilheteira nas suas primeiras semanas de exibição nos EUA depois de ter arrecadado milhões de libras no Reino Unido desde Julho de 2016 e de ter recebido nove prémios Laurence Olivier.

Glenda Jackson e Laurie Metcalf foram premiadas pelos seus papéis em Three Tall Women e a revisitação de My Fair Lady foi uma das grandes perdedoras da noite, marcada por um Tony especial a Bruce Springsteen pelo seu espectáculo Springsteen on Broadway, que estará em exibição até Dezembro deste ano. Foi precisamente ao apresentar o “boss” que Robert DeNiro deixou a sua marca na cerimónia que a imprensa descreve como tendo sido entre “muito política” e marcada pela “esperança e contenção”.

Afinal, os discursos sobre a comunidade LGBT, sobre o feminismo (a comediante Amy Schumer enquadrou My Fair Lady como uma peça feminista, por exemplo) ou imigração e a actuação dos alunos da escola Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, que interpretaram uma música da peça Rent, tinham pontuado a noite. E Tony Kushner tinha apelado, ao aceitar o seu prémio, ao voto nas iminentes eleições intercalares dos EUA para “salvar a nossa democracia e sarar o nosso país”.

Mas o “touro enraivecido” obrigou os censores do canal CBS a exercer os seus poderes e a deixar em silêncio na transmissão televisiva o momento em que DeNiro gerava uma ovação no Radio City Music Hall. De punhos erguidos, disse “Fuck Trump”. Foi recebido com risos e aplausos. “Já não é ‘abaixo Trump’, é ‘que se foda Trump’”. E com Springsteen prestes a interpretar My hometown apelou: “Bruce, tu abalas a sala como ninguém. E mais importante ainda nestes tempos perigosos, abalas o voto. Sempre a lutar, usando as tuas próprias palavras, pela verdade, transparência, integridade na governação. E bem precisamos disso agora”.

Robert DeNiro é uma conhecida voz anti-Trump e já tinha justificado no passado recente que considera que “a América está a ser gerida por um louco que não reconheceria a verdade nem que ela viesse dentro de um balde do seu amado frango frito”.

Em casa, os espectadores não puderam ouvir os palavrões de DeNiro – mas a audiência encarregou-se de espalhar a palavra via Twitter e a imprensa presente também relataria o sucedido.