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EUA acusam Pequim de "intimidação e coerção" no mar do Sul da China

General He Lei responde às declarações do secretário da Defesa norte-americano e diz que "não se pode tolerar comentários irresponsáveis".

As declarações de Mattis foram proferidas na conferência Shangri-La Dialogue
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As declarações de Mattis foram proferidas na conferência Shangri-La Dialogue LUSA/WALLACE WOON

Os EUA endureceram a sua posição sobre as disputas de território no mar do Sul da China, acusando Pequim de "intimidação e coerção" sobre os vizinhos. Num discurso em Singapura, o secretário da Defesa norte-americano, James Mattis, indicou que a Administração Trump está na expectativa para perceber "quais são os objectivos de longo prazo" da China na região.

"Sabemos que a China vai enfrentar uma série de desafios e de oportunidades nos próximos anos. Estamos preparados para apoiar as decisões da China se elas promoverem uma paz e uma prosperidade duradouras para todos nesta região dinâmica", começou por dizer James Mattis na conferência Shangri-La Dialogue, que se realiza anualmente em Singapura desde 2002.

Mas, para Washington, esse cenário de paz e de prosperidade não é o primeiro a saltar à vista quando se olha para as movimentações de Pequim: "A política da China no mar do Sul da China contrasta de forma evidente com a abertura que a nossa estratégia promove. Põe em dúvida os objectivos da China a longo prazo", disse o secretário da Defesa norte-americano.

James Mattis referiu-se, em particular, à recente aterragem de um bombardeiro chinês na maior ilha de um dos dois arquipélagos que estão no centro das disputas, integrada numa "militarização de ilhas artificiais no mar do Sul da China que inclui o envio de mísseis anti-navio e terra-ar e neutralizadores de radar".

"Apesar de a China dizer o contrário, o envio destes sistemas está directamente ligado a um uso militar para intimidação e coerção", acusou Mattis.

A China reagiu de imediato às declarações do secretário da Defesa dos EUA, dizendo que "não se pode tolerar comentários irresponsáveis".

O general He Lei, também presente na reunião sobre segurança em Singapura, disse que as acções de Pequim no mar do Sul da China têm como objectivo a "defesa nacional".

"São feitas para impedir uma invasão por outros. Podemos enviar o exército e armamento para o nosso próprio território", disse o general, citado pela agência AFP.

Mas a questão é que a soberania dos arquipélagos das Paracel e das Spratly, no mar do Sul da China, é disputada por vários países.

Algumas dessas disputas arrastam-se há séculos, mas as suspeitas de que ambos os arquipélagos escondem grandes reservas de recursos naturais, e o facto de o mar do Sul da China ser uma importante rota marítima na região, agravaram as tensões nas últimas décadas.

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A China passou a incluir os dois arquipélagos nos seus mapas na década de 1940, mas o Vietname apresenta-se como seu legítimo soberano desde o século XVII. Para além da China e do Vietname, também Taiwan reclama soberania sobre a generalidades das ilhas – uma pretensão que se torna ainda mais complicada pelo facto de a China considerar Taiwan como parte do seu território.

As Filipinas reclamam soberania sobre o arquipélago Spratly, mais a Sul, devido à proximidade geográfica. E a Malásia e o Brunei também reclamam soberania sobre algumas zonas no mar do Sul da China, que dizem integrar as respectivas áreas económicas exclusivas.

Não tem sido possível resolver nenhuma destas questões porque a China defende uma negociação bilateral com cada um dos outros interessados, e estes dizem que os seus interesses só podem ser salvaguardados em negociações no seio de organizações internacionais ou nos tribunais.

As Filipinas obtiveram uma vitória em 2016, quando o Tribunal Arbitral de Haia declarou que a China não tem laços históricos nem argumentos geográficos que justifiquem as reivindicações territoriais no mar do Sul da China. Para além disso, o tribunal determinou que a construção de ilhas artificiais por Pequim causou danos irreparáveis ao meio ambiente.

Mas, quando a decisão foi anunciada, já a China se tinha retirado do processo há quase três anos, não reconhecendo autoridade ao Tribunal Arbitral de Haia para avaliar as disputas territoriais.

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