Nick Cave e Björk brilharam no Primavera Sound de Barcelona

Um dos últimos concertos do músico antes da ida ao Porto na próxima semana foi emocionante; o da islandesa, que cancelou a sua participação em Agosto no Vodafone Paredes de Coura, aparece descrito como uma experiência imersiva.

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ALEJANDRO GARCIA/LUSA

Falta cerca de uma semana para Nick Cave se apresentar no Porto, a 9 de Junho, no festival NOS Primavera Sound, e as expectativas são elevadas. E mais fortalecidas ficaram depois de se saber que na noite desta quinta-feira o australiano, na companhia dos seus Bad Seeds, deu um excelente concerto no cenário do festival irmão, o Primavera Sound de Barcelona.

Como aconteceu ao longo da digressão em torno do álbum Skeleton Tree (2016), as canções soturnas e melancólicas desse último disco estiveram presentes no alinhamento (Jesus alone, Girl in amber ou Distant sky), mas menos do que talvez fosse de esperar, acabando por predominar canções mais antigas como Deanna, From her to eternity, Do you love me?, Loverman, The mercy seat, The ship song, Jubilee street ou Red right hand.

E houve também espaço para surpresas, quando Cave começou a interpretar Coming to my sleep, uma canção que não tem feito parte dos seus alinhamentos nos últimos tempos. Como tem acontecido em inúmeros outros espectáculos da sua digressão, na interpretação da balada Push the sky away, um dos momentos altos do penúltimo disco, homónimo, editado em 2013, o cantor convidou uma série de membros do público a subirem ao palco, deixando-se envolver pela multidão. De resto foi um espectáculo marcado pela habitual sintonia com o multifacetado músico Warren Ellis, que tanto tocou piano como violino ou guitarra, e pela presença magnetizante de Cave, que interage com a assistência de forma ora terna, ora contundente. Agora segue-se o Porto.

Quem também brilhou na noite desta quinta-feira em Barcelona foi Björk, que chegou a ser anunciada para a edição deste ano do festival Vodafone Paredes de Coura, mas viria a cancelar o concerto. Foi um espectáculo imersivo aquele que a islandesa apresentou, surgindo em palco como uma orquídea, envolvida por plantas e seres gigantes e por um conjunto de músicos, com destaque para uma série de flautas, o instrumento que acaba por predominar no último álbum, Utopia (2017).

O imaginário e os aspectos mais performativos do espectáculo giraram em torno desse último disco, mas não faltaram temas mais antigos como Human behaviour, Wanderlust ou Notget, que deu por encerrado o concerto. War On Drugs, Fever Ray, Four Tet, Kelela ou Nils Frahm – que actuarão também no Porto – foram alguns dos outros nomes que se destacaram numa noite em que evoluíram dezenas de projectos. O festival em Barcelona decorre até domingo. No Porto desenrola-se entre 7 e 9 de Junho.  

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