Tirar um veículo sinistrado da VCI demora em média três horas

Rui Moreira queixa-se de falta de colaboração da dona da VCI e da Circunvalação na gestão do tráfego na cidade.

Rui Moreira insistiu no fim das portagens na CREP
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Rui Moreira insistiu no fim das portagens na CREP Nelson Garrido

O presidente da Câmara do Porto afirmou esta segunda-feira à noite, na assembleia municipal, que não consegue “falar” com a Infraestruturas de Portugal, empresa responsável pela Via de Cintura Interna, pela Circunvalação e pelo tabuleiro inferior da ponte Luís I. As três vias são essenciais para a mobilidade na cidade mas, explicou o autarca, na VCI nada é feito para, por exemplo, acabar com um “dado de sinistralidade impressionante”: em média "são necessários 180 minutos, ou seja, três horas, para tirar um veículo sinistrado" da faixa de rodagem.

A empresa pública que gere estas vias está prestes a reactivar a comunicação entre os radares da VCI e as autoridades, para voltar a garantir o levantamento de autos de contraordenação por excesso de velocidade, mas rui Moreira queixou-se de ter sabido desta novidade através da imprensa. "A IP não fala connosco. E nem nos pergunta, por exemplo, se queremos reduzir a velocidade de circulação naquela via", frisou o independente. 

O assunto fora levantado a propósito da votação, unânime, da adesão do Porto à Aliança para a Descarbonização dos Transportes, uma organização internacional da qual Portugal foi co-fundador e que tem na liderança, actualmente, o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes. A aposição não só apoiou a iniciativa como, pela voz do comunista Rui Sá, se mostrou interessada em contribuir para o debate sobre medidas de combate às causas das alterações climáticas. 

Questionado pelo Bloco de Esquerda sobre o que poderia ser feito para garantir que o Porto não falha o compromisso subscrito no Pacto dos Autarcas, de reduzir fortemente as emissões de gases com efeito de estufa já até 2020, Moreira mostrou-se esperançado na nova gestão municipal da STCO e na possibilidade de vir a ser criado um passe metropolitano acessível. Mas referiu que há outras intervenções urgentes, que não dependem da autarquia.

Com boa parte da sinistralidade da VCI associada a pesados de mercadorias, e a todo um tráfego de atravessamento que poderia estar a usar a CREP, a circular regional externa, não fosse o caso de esta ter portagens, Moreira vincou que os municípios da região vão ter de continuar a insistir com o Governo para mudar esta situação. Os autarcas não têm dúvidas de que uma CREP gratuita desviaria dos centros urbanos muitos veículos que hoje entopem a VCI ou mesmo a Circunvalação, outra via para a qual há um consenso intermunicipal, em termos de requalificação, mas para a qual, disse o autarca independente, a Infraestruturas de Portugal já assumiu ter apenas 1,5 milhões de euros disponíveis.

O autarca mostrou-se da mesma forma preocupado com a demora no arranque das obras de requalificação do tabuleiro rodoviário da ponte Luís I, também a cargo da mesma empresa pública. Adiantou mesmo que, depois de lhe terem dito, na IP, que o problema estaria na Direcção-Geral do Património Cultural, tinha tentado, sem sucesso, contactar a responsável por este organismo para tentar perceber o que está a acontecer. “É que há buracos no ferro, a partir dos quais se consegue ver o rio”, assinalou, queixando-se das dificuldades que tem tido nos dossiers que envolvem a Infraestruturas de Portugal.