Na Feira do Livro de Lisboa, também cabem estórias, comidas e canções

Este ano, durante a semana, a feira vai fechar mais cedo e, por isso, a hora dos descontos também se adianta. A feira cresceu, há mais editores e mais pavilhões, prontos a ser visitados a partir de sexta-feira.

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A festa dos livros em Lisboa arranca esta sexta-feira e vai prolongar-se até 13 de Junho Nuno Ferreira Santos
Estrada, transporte, espaço público
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A festa dos livros em Lisboa arranca esta sexta-feira e vai prolongar-se até 13 de Junho Nuno Ferreira Santos
Carro, esporte, árvore
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A festa dos livros em Lisboa arranca esta sexta-feira e vai prolongar-se até 13 de Junho Nuno Ferreira Santos
Espaço público, árvore
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A festa dos livros em Lisboa arranca esta sexta-feira e vai prolongar-se até 13 de Junho Nuno Ferreira Santos
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Nuno Ferreira Santos

No Parque Eduardo VII, os pavilhões começam a ser montados para serem, por quase três semanas, a grande montra dos livros na capital. A 88.ª edição arranca na sexta-feira (ao contrário de outros anos em que o arranque era à quinta-feira) e vai prolongar-se até ao feriado municipal de 13 de Junho, dia de Santo António. 

Pedro Pereira da Silva, o director da Feira do Livro de Lisboa, mune-se dos números do ano passado para justificar o impacto do evento: mais de 1600 iniciativas, 1120 autores, 286 pavilhões, cerca de 400 mil livros vendidos e 537 mil visitantes. Para a edição deste ano, a perspectiva, sublinha, é a de que estes números “sejam ultrapassados”. No número de pavilhões, a meta já foi cumprida. Serão mais oito do que no ano passado, chegando aos 294, que vão acolher 626 chancelas editoriais. 

Uma das novidades é que a feira vai fechar uma hora mais cedo, às 22h00, de domingo a quinta-feira. A Hora H, por exemplo, onde se podem comprar obras com mais de 18 meses a metade do preço, funcionará na última hora entre as 21h00 e as 22h00. A mudança, justificou Bruno Pires Pacheco, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), na conferência de imprensa de apresentação da feira, vai ao encontro das sugestões de editores e participantes, já que muitos se fazem acompanhar por crianças e esta “torna-se numa hora mais adequada”.

A feira cresceu para o cimo do parque e para a zona oeste, onde será reforçada a área dedicada à gastronomia e ao showcooking. Aquela zona contará com apresentações de autores que lançaram livros sobre gastronomia, alimentação ou nutrição. Haverá ainda uma “batalha gastronómica”, que se quer que seja uma “homenagem à cozinha tradicional”, e que porá, frente a frente, chefs que terão como desafio a recriação de uma receita da cozinha tradicional portuguesa. 

Uma feira "da família"

Logo no sábado, pelas 15h00, o professor e filósofo Eduardo Lourenço estará à conversa com Miguel Gonçalves Mendes, o realizador que filmou o pensamento do ensaísta em O Labirinto da Saudade. Quem somos, o que fizemos, que atrocidades cometemos e quais os caminhos que podemos seguir — os quatro traumas que, segundo Eduardo Lourenço, definem o povo português vão estar em reflexão, no auditório da feira que, este ano, vai estar logo à entrada, junto à rotunda do Marquês de Pombal. 

Também o autor David Machado, vencedor do Prémio de Literatura da União Europeia em 2015, estará à conversa com o público no dia 8 de Junho, pelas 18h00.

Nesta edição da feira a parceria com a Cinemateca Portuguesa vai manter-se, com a exibição dos filmes Lisboa Crónica Anedótica, de Leitão de Barros, Cartas de Guerra, de Ivo Ferreira, O Escritor Prodigioso, de Joana Pontes e José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes.

E haverá também uma homenagem aos 88 anos de feira. O stand da APEL vai, em colaboração com a câmara de Lisboa, passar em revista as imagens que marcam todas as edições, recordando os primeiros anos em que a feira se realizou no Rossio. 

Ao longo do tempo, a feira foi-se transformando. Deixou de ser apenas um mercado, para se tornar uma tradição familiar, que ultrapassa, muitas vezes, a literatura. Há por isso uma intensa programação paralela que abrange todas as idades. Do xadrez e dominó, ao regresso do “Acampar com Histórias", uma iniciativa onde os miúdos pernoitam na Estufa Fria, com contos à cabeceira, e cujas inscrições estão quase esgotadas, disse Susana Silvestre, coordenadora da rede Bibliotecas de Lisboa. 

No último dia do evento, às 14h00, haverá uma “arruada da leitura”, numa parceria com o Plano Nacional de Leitura, em que as crianças vão distribuir folhetos e marcadores de livros, adiantou Susana Silvestre. 

A APEL e o Banco de Bens Doados voltam a apelar ao público que tenha livros usados para os doar, para que estes possam ganhar novos leitores. Segundo dados da organização, desde 2015, esta iniciativa permitiu recolher cerca de 20 mil livros. 

Uma feira “mais profissional”

Apesar da Feira do Livro de Lisboa ser “claramente” vocacionada para o público, Pedro Pereira da Silva diz querer torná-la “mais profissional” para que possa atrair mais editores estrangeiros. Para isso, a 7 de Junho, o certame receberá um grupo de editoras e livreiros holandeses para uma sessão aberta ao público, onde se trocarão ideias sobre o mercado digital de livros. 

Já na Noite da Literatura Europeia, a 9 de Junho, a partir das 15h00, autores da Croácia, Espanha, França, Itália, República Checa e Roménia vão juntar-se numa conversa moderada pelo blogger, escritor e ilustrador Pedro Vieira.

Wi-fi nas praças 

À semelhança de outros anos, o programa e todas as actividades poderão ser consultados na aplicação móvel da feira. As praças principais vão ter wi-fi, haverá dois pontos de carregamento de telemóveis e, não fugindo às modas, um espaço dedicado às selfies.

A área de restauração contará com 42 espaços, onde a tradicional fartura conviverá com propostas mais refinadas que poderão ser consumidas nas zonas de descanso, com sombra, que, este anos, foram duplicadas, referiu o director da feira.

De segunda sexta, a Feira do Livro de Lisboa abre às 12h30, como de costume. Aos sábados, domingos e feriados, as portas abrem mais cedo, às 11h. De domingo a quinta encerra às 22h00, sendo que nos restantes dias, fecha apenas à meia-noite. 

O orçamento da 88.ª edição, diz Pedro Pereira da Silva, mantém-se nos 950 mil euros, dos quais 120 mil são um apoio da câmara de Lisboa, depois de, no ano passado, a autarquia ter assinado com a APEL um protocolo que garante a realização da feira, e o respectivo financiamento, para os três anos seguintes.

No ano passado, as estimativas apontam para que tenham sido vendidos cerca de 400 mil livros na feira, indicou cautelosamente Bruno Pacheco, secretário-geral da APEL, o que corresponde, em média, a um potencial de negócio na ordem dos "4 milhões de euros por edição".