Nem só de livros se faz a Feira do Livro de Lisboa

APEL assinou protocolo com a Câmara de Lisboa para os próximos três anos. A feira cresceu e espera meio milhão de visitantes.

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Nuno Ferreira Santos

Ir à Feira do Livro de Lisboa pode ser uma experiência para além do folhear e comprar novas e antigas obras. Fazer capoeira, experimentar parkour ou dar uma oportunidade às artes circenses são algumas das actividades que fazem parte do cardápio da 87.ª edição, que decorre de 1 a 18 de Junho, no Parque Eduardo XVII.

Relacionar as várias formas de expressão artística com a literatura é o desafio que se impõe. Para isso haverá teatro, noites de cinema com exibição de filmes baseados em obras de autores portugueses e uma exposição que explora as curiosidades à volta da edição, dos livros e da própria feira, no novo pavilhão da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), a entidade organizadora.

Esta é a maior edição de sempre: são 682 marcas editoriais, 286 pavilhões e esperados mais de meio milhão de visitantes. Apenas em 2014, foi atingido esse número recorde de visitantes, ressalvou Pedro Pereira da Silva, director da feira, na conferência de imprensa de apresentação da programação, esta terça-feira. 

A APEL inicia esta feira com uma dupla celebração, adiantou o presidente, João Amaral. A organização assinou, com a Câmara de Lisboa, um protocolo que garante a realização da feira, e o respectivo financiamento, para os próximos três anos. “Está reiterada a consagração da Feira do Livro com um dos maiores eventos da cidade”, assinalou. O município compromete-se a subsidiar a feira em 120 mil euros, valor já atribuído este ano, e isentar a organização do pagamento de taxas.

A APEL estima um investimento de 900 mil euros nesta edição.

Festa das crianças

No primeiro dia, a coincidir com o Dia Mundial da Criança, estará montada na feira uma pequena escola artística à medida dos mais novos. Há oficinas de ilustração a cargo de Ana Sofia Gonçalves e Maria Remédio, workshops de música pelo Conservatório de Sintra, capoeira e malabarismo com a escola de circo Chapitô e uma sessão de Yoga com a GetZen.

Escolas e famílias são convidadas a assistir a peças de teatro, oficinas de reciclagem, horas do conto e paradas de mascotes. Às 14h30, o palco é da Banda do Regimento de Sapadores Bombeiros que vai interpretar temas musicais da Disney.

À semelhança da edição do ano passado, ao longo de oito dias, 120 crianças vão dormir na Feira do Livro. Na Estufa Fria, os leitores mais pequenos ouvem contos, ilustram e percorrem a feira num peddy-paper literário.

As bibliotecas de Lisboa voltam a marcar presença e a Fundação Francisco Manuel dos Santos leva para o Parque debates e emissões de programas de televisão e rádio - Conselho de Directores (Rádio Renascença), dia 1 às 19h15, Governo Sombra (TVI24), dia 10, às 19h.

De regresso está também a Hora H: a partir de da 5, das 22h Às 23h, a última hora da feira, há descontos mínimos de 50% nos pavilhões dos participantes aderentes. No ano passado, 70% das editoras aderiram e a organização espera uma adesão maior este ano.

João Amaral fala de uma espécie de “feira popular”, que, pela sua programação diversa, suscita o interesse de editores e presidentes de associações congéneres estrangeiras.

Entre os convidados das editoras estará a judoca Telma Monteiro com o livro Na vida com garra (dia 2, às 18h), Afonso Cruz com Nem Todas as Baleias Voam (dia 10, às 15h), Nuno Markl com O Homem que Mordeu o Cão (dia 15, às 15h) e Alexandra Lucas Coelho com E A Noite Roda (dia 17, às 15h) e Deus Dará (dia 17, às 17h).

Os independentes vão à feira

Há quatro projectos editoriais independentes lisboetas que juntaram forças para conseguirem marcar presença na edição deste ano. No pavilhão C39 será possível encontrar pela primeira vez na feira as propostas da Chili Com Carne, Pierre von Kleist Editions, Serrote, STET, que abarcam especificamente os universos da BD, da fotografia e da ilustração.

Filipa Valladares, da STET, encara esta participação como "uma prova de fogo" na procura de "novos leitores e novos encontros livreiros". "Esta união deve-se ao facto de estas editoras produzirem um corpo de trabalho único, sempre com uma postura independente, mas com uma intenção de abranger um público maior, fora dos nichos tradicionais. Muitos dos livros que editam ou comercializam são transversais a gerações, continentes e culturas, daí que sejam muito bem aceites a nível internacional e do público nacional fora do mainstream", refere a livreira. Com Sérgio B. Gomes