Esta aplicação vai ajudar-me a ser mais saudável (ou talvez não)

Uma aplicação para diminuir o consumo de álcool junto de adolescentes suecos, teve o efeito contrário. Há mais, e uma investigação australiana sugere que poucas aplicações de saúde para o smartphone funcionam.

Arábia Saudita
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As aplicações móveis são cada vez mais populares para tratar vários problemas de saúde, como a obesidade e a falta de sono Reuters/Faisal Nasser

Há mais de 300 mil aplicações que as pessoas podem instalar no smartphone para as ajudar a ser mais saudáveis, mas uma investigadora na Austrália alerta que não há provas de que funcionem. Algumas têm o efeito contrário e muitas pagam-se.

Oyungerel Byambasuren e a sua equipa na Universidade de Bond, passaram o último ano a ler artigos científicos de todo o mundo sobre aplicações de saúde escritos entre 2008 e 2017. O objectivo era perceber se os médicos deviam começar a prescrever apps para melhorar a saúde dos pacientes a partir do telemóvel. Estes sistemas são cada vez mais populares para tratar a obesidade, problemas de sono, bem-estar mental e monitorizar a diabetes. Os resultados foram publicados esta semana na revista científica Nature.

“As provas gerais de eficácia das apps eram de muito baixa qualidade”, escrevem os autores. Dos milhões de aplicações disponíveis, apenas 22 tinham sido estudadas a longo prazo, e apenas a Get Happy Program apresentava resultados claros de sucesso. Por cerca de 50 euros, os donos das seis lições virtuais diziam que aprendiam mesmo a ser mais positivos.

Por outro lado, os participantes num estudo sobre a Promillekol, uma aplicação criada pelo governo sueco para diminuir o alcoolismo entre adolescentes, passaram a beber mais depois de começar a utilizar a aplicação que estimava a concentração de álcool no sangue até ao limite legal no país. Já usar a MyFitnessPall, uma das aplicações mais populares para registar o número de calorias ingeridas, parece não influenciar significativamente a perda de peso, e a Lose-it! é menos eficaz do que um registo em papel. 

“Hoje, qualquer pessoa pode publicar uma aplicação de saúde sem as testar, e os pacientes têm de as experimentar com base em tentativa e erro. Se os médicos passarem a poder prescrever este tipo de aplicações, têm de estar confiantes do seu sucesso", lê-se nas conclusões do relatório. "Sugerimos, por isso, a criação de uma fonte independente de confiança para reunir informação de aplicações que funcionam e que os médicos possam utilizar.”