Chineses oferecem 3,26 euros por cada acção da EDP

A CTG, a maior accionista da EDP, quer comprar a totalidade do capital da empresa que ainda não está em mãos do Estado chinês, mas pretende mantê-la cotada na bolsa de Lisboa.

 Ya Yang, representante da China Three Gorges no administração da EDP, com Luís Amado, novo presidente do conselho geral e de supervisão da eléctrica.
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Ya Yang, representante da China Three Gorges no administração da EDP, com Luís Amado, novo presidente do conselho geral e de supervisão da eléctrica. Nuno Ferreira Santos

A China Three Gorges (que controla, em conjunto com outro accionista chinês, quase 30% da eléctrica) anunciou esta sexta-feira o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o restante capital da EDP. A CTG oferece 3,26 euros por cada acção da eléctrica, avaliando-a em cerca de 11.920 milhões de euros. Os accionistas chineses também se propõem pagar 7,33 euros por cada acção que a EDP ainda não controla na EDP Renováveis.

A aquisição será realizada através da China Three Gorges Europe, sociedade luxemburguesa que é integralmente detida pela CTG que, por sua vez, é uma empresa pertencente à República Popular da China.

A empresa detida pelo Estado chinês quer comprar a totalidade do capital da EDP, mas mantê-la cotada na bolsa de Lisboa, de acordo com o anúncio preliminar da oferta divulgado esta noite pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

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A contrapartida oferecida representa um prémio de 4,82% face ao valor de fecho das acções da EDP na sessão desta sexta-feira. Contudo, traduz um “prémio de cerca de 10,8% em relação ao preço médio ponderado das acções” nos seis meses anteriores à data do anúncio, que é de 2,94 euros, refere o anúncio preliminar.

Entre as condições requeridas pela CTG para o sucesso da oferta está a alteração dos estatutos da EDP para “remover qualquer limite à contagem de votos emitidos por um só accionista, quer em nome próprio, quer actuando em nome de outro accionista”. Actualmente, os estatutos da EDP dizem que um accionista só pode votar com 25% do capital, mesmo que tenha uma posição superior.

Os chineses também querem mudar os estatutos para “isentar a Oferente e quaisquer entidades que, directa ou indirectamente, actual ou futuramente, venham a controlar a Oferente, ou a ser controladas por esta, de serem consideradas concorrentes da Sociedade Visada”.

Outra exigência para que a oferta seja bem-sucedida é a de “confirmação por parte do Governo de Portugal de que não irá opor-se à Oferta tal como delineada” neste anúncio preliminar e, "por consequência", de que “não irá opor-se ao lançamento da potencial oferta pública obrigatória de aquisição" sobre as acções representativas da EDP Renováveis.

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A CTG nota que é titular de 850 milhões de acções da EDP e tem uma posição de 23,27% do capital, sublinhando que, “tanto quanto é do [seu] conhecimento (…), não lhe são imputáveis quaisquer outros direitos de voto, quer directamente, quer de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 20.ºdo Código dos Valores Mobiliários”.

No entanto, a CNIC, outra empresa detida pelo Estado chinês, tem 4,98% da EDP e o BCP, que é controlado pela também chinesa Fosun, é dono de outros 2,44% da eléctrica portuguesa.

A EDP, contactada, recusou fazer qualquer comentário. 

As acções da eléctrica fecharam a valer 3,11 euros, a subir 0,75%, minutos antes de a notícia do Expresso, avançando a realização da operação ter sido publicada. O volume de negócios foi de 9,4 milhões de títulos transaccionados, quase o dobro dos 5,6 milhões movimentados na véspera.