Marcelo sobre a destruição de provas: deve ser investigada “se houver matéria criminal”

Presidente da República reagiu à notícia avançada pelo PÚBLICO que diz que houve documentos apagados e destruídos relativamente aos incêndios de Junho de 2017.

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Marcelo durante a visita ao Bolhão temporário Paulo Pimenta

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não evitou comentar o caso do relatório interno feito pela Direcção Nacional de Auditoria e Fiscalização à actuação da Protecção Civil no incêndio da zona de Pedrógão Grande, em Junho de 2017, do qual resultaram 67 mortes. Esta quarta-feira, no Porto, Marcelo disse que, “se houver matéria criminal” relativamente à eventual destruição de documentos, tal deve “entrar na investigação criminal" que está a ser feita pelas autoridades judiciárias. “Se houver matéria criminal nesse domínio, naturalmente que entra na investigação que está em curso”, reforçou o chefe de Estado.

O Presidente da República reagia à notícia avançada nesta quarta-feira pelo PÚBLICO, na qual se revelava o conteúdo de um relatório de quase 150 páginas resultante de uma auditoria à Autoridade Nacional de Protecção Civil que está desde Novembro do ano passado nas mãos do Governo e que aponta "falhas graves”, admitindo que houve registos "apagados" ou "destruídos", entre muitas outras conclusões.

“Relativamente aos incêndios, há uma parte que compete à investigação criminal. Se houver matéria nesse domínio, naturalmente deve entrar na investigação que está em curso”, continuou a defender o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas durante a visita ao mercado temporário do Bolhão.

Questionado sobre a possibilidade de o Governo de António Costa ter escondido um relatório, enquanto divulgou todos os outros, o Presidente da República foi contido. “Eu não tenho sobre isso elementos nenhuns que me permitam formular uma opinião. Houve uma notícia e neste momento é prematuro formular opinião sobre aquilo que não pude estudar, não pude investigar, de que não tive conhecimento”, concluiu.

Marcelo Rebelo de Sousa também não disse se essa questão o preocupava. “Só há razão para estar preocupado depois de conhecer a matéria. Tenho primeiro que conhecer a matéria”, disse. Recorde-se que o Presidente da República foi das individualidades que mais pressão colocaram no Governo a propósito dos incêndios que em 2017 destruíram mais de 440 mil hectares de floresta em Portugal.