Uma poodle que serve brunches em Campo de Ourique

Depois da comida de pequeno-almoço servida o dia todo no Nicolau, é a vez de Amélia espalhar essa magia noutra zona de Lisboa.

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Rui Gaudêncio
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“A Amélia é uma cadela de raça poodle e uma burguesa de Campo de Ourique que se apaixonou pelo gingão da Baixa, o teckel Nicolau.”

É esta a história sonhada por Bernardo Mesquita e Bárbara Pinto, em relação à abertura do seu novo espaço de brunch, um restaurante novo e irreverente que mantém uma tradição de locais com nomes tipicamente portugueses.

“O nome Nicolau foi claramente escolhido devido à rua onde está, a Rua de São Nicolau. Por outro lado, Amélia é o nome da minha avó e um nome de que gostamos muito”, afirma Bernardo ao introduzir o seu mais recente projecto, que ainda se encontra em soft-opening. “No Nicolau temos uma clientela um pouco dividida igualmente entre turistas e portugueses. Aqui esperamos ter um público diferente, mais português, que mora na zona e que traz aqui a sua família e amigos.”

O cruzamento da história de Bernardo com a restauração não foi instantânea, mas algo que surgiu pouco a pouco, tendo início quando o seu irmão abriu o Home Lisbon Hostel e o convidou para entrar como sócio.

“Às vezes sucedem coisas na vida de que não estamos à espera e que nos levam a determinados caminhos”, conta o empreendedor, que acabou por desistir do seu trabalho na banca para se dedicar ao negócio. Quando o crescimento do hostel estava no seu pico, o rés-do-chão do edifício vagou, oferecendo aos irmãos e a Bárbara, que desempenhava a função de gerente, a oportunidade de expandirem o negócio.

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“Achámos uma aposta interessante ter um café cujo ambiente descontraído mimetizasse aquele que encontramos no hostel e que servisse comida que nós gostamos de comer em casa”, afirma. Bernardo recorda que, quando nasceu o Nicolau, a sua expansão foi muito maior do que alguma vez esperaram e que os desafios oferecidos pelo projecto acabaram por ser maioritariamente “dores de crescimento”. De um excesso de procura e limitações no espaço, surgiu a necessidade de expansão para outras zonas — e assim foi criada a namorada do Nicolau.

Num espaço pensado para ser um pouco “mais feminino”, foi o pátio exterior que convenceu Bárbara e Bernardo de que Campo de Ourique era o local indicado para o Amélia. “Quando crescemos, a ideia não era ter uma cadeia de vários Nicolaus. Queríamos que cada espaço tivesse a sua identidade própria, ainda que partilhem muitas semelhanças na carta”, aponta.

Alma característica e personalidade forte

No Amélia preserva-se a chave para o sucesso — uma carta de comida leve a preços razoáveis e horários flexíveis na cozinha — mas também foram acrescentados novos pratos, para que todos os que já conheciam o Nicolau tivessem motivo para ir visitar a sua namorada.

Por detrás dos menus, desenhados para quem gosta de comida saudável e saborosa, esconde-se o gosto de Bárbara e Bernardo pelas viagens, pelo desporto e por comida de pequeno-almoço que se pode consumir o dia todo, a que chamam de “confortável”.

“Dentro do possível, tudo o que está na mesa é português, como é o caso do café e da cerveja artesanal”, comenta um dos donos, sublinhando a importância dos produtos nacionais no Amélia. “No entanto — e porque a família da Bárbara é de Macau —, a inspiração de alguns pratos é internacional, como é o caso das power bowls, originárias de uma receita da minha sogra.”

Até agora, segundo Bernardo Mesquita, os pedidos mais populares são bastante idênticos aos do Nicolau, como é o caso do brunch (14€), seguindo-se o açaí (6,90€) e as panquecas (4-6€).

No entanto, a burguesa de Campo de Ourique vem recheada de novidades. Encontramos uma carta um pouco mais extensa com adições como o Amélia Burguer (7,50€), um hambúrguer grelhado com abacate, cebola caramelizada e maionese de caril, três novas power bowls, waffles (Amélia e Choco, ambos a 6€) e mais tostas, ovos e sumos.

Num futuro próximo, a família de Nicolau voltará a crescer, com a abertura do restaurante do seu primo, o Basílio. O novo projecto dos investidores — que também são sócios do restaurante TOPO — servirá jantares (algo que o Nicolau e a Amélia não fazem) e tem data de abertura prevista para final de Abril, com localização na Rua dos Bacalhoeiros.

Texto editado por Sandra Silva Costa

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