Facebook pediu dados de pacientes a vários hospitais dos EUA

O objectivo era cruzar a informação com dados partilhados pelos utilizadores, para "desenvolver tratamentos e planos de intervenção". O projecto foi suspenso.

Foto
A rede social diz que a informação recolhida apenas seria utilizada para investigação médica Rui Gaudencio

O Facebook tentou no ano passado recolher informação sobre as doenças e a medicação de pacientes em vários hospitais dos EUA, para um projecto de investigação. O objectivo era cruzar dados partilhados pelos seus utilizadores com informação anónima fornecida por hospitais e clínicas de saúde a um médico enviado pelo Facebook.

O caso foi exposto numa investigação feita pela estação de televisão norte-americana CNBC. A rede social confirmou a história, mas diz que o projecto para "desenvolver tratamentos e planos de intervenção que considerem a conexão social" foi suspenso o mês passado. Foi por essa altura que começou o escândalo com a consultora Cambridge Analytica, uma empresa de propaganda que usou dados de milhões de utilizadores para criar campanhas políticas direccionadas.

O Facebook diz que as discussões sobre o projecto de investigação na área da saúde – que não consta nos comunicados da empresa – pararam para a empresa se poder dedicar a “outros projectos” como “aumentar a segurança dos dados das pessoas”. Ainda não tinham sido partilhado dados dos hospitais quando o programa foi suspenso.

A rede social ressalva que a informação que estava a ser recolhida apenas seria utilizada para investigação médica, e que era impossível descobrir a identidade de alguém a partir dos dados. Um método de criptografia conhecido como hashing seria utilizado para unir a informação anónima da rede social com aquela partilhada pelos hospitais e retirar conclusões.

A Sociedade Americana de Cardiologia e o Departamento de Medicina da Universidade de Stanford foram algumas das instituições abordadas. Segundo a directora daquela sociedade, o objectivo da parceria era usar as redes sociais para descobrir formas de prevenir doenças cardiovasculares. “Pela primeira vez na história as pessoas estão a partilhar informação sobre elas na Internet, de maneiras que podem ajudar a determinar como melhorar a sua saúde”, justifica Cathy Gates, num comunicado partilhado com a imprensa. 

"Não temos um acordo de partilha de dados com o Facebook e não foi partilhada qualquer informação. O projecto foi suspenso, sem prazo específico para avançar", acrescentou um porta-voz da Universidade de Stanford, em resposta a questões do PÚBLICO.

 Facebook não é a única empresa de tecnologia interessada na área da saúde. Em Abril de 2017, o Google começou a recrutar dez mil pessoas para criar um mapa da saúde humana (conhecido como Baseline Project) que conta com a colaboração da Universidade de Duke e da Universidade de Stanford. Em 2015, a IBM lançou parcerias com a Apple e outras grandes empresas para recolher dados de saúde dos aparelhos da marca (por exemplo, o relógio inteligente que monitoriza o batimento cardíaco e o número de passos dados por dia) para investigação médica. Estes projectos, porém, foram divulgados publicamente.