IBM junta-se à Apple para criar mega-base de dados de saúde

Através da Watson Health, um “sistema de computação cognitivo”, a IBM quer reunir dados de saúde de utilizadores dos produtos da Apple numa só unidade.

Foto
IBM

A IBM lançou parcerias com a Apple e com algumas das principais empresas do sector da saúde norte-americano, como a Johnson & Johnson e a Medtronic, para criar uma unidade que irá reunir os dados sobre a saúde dos utilizadores dos aparelhos da Apple e disponibilizá-los a médicos e a prestadores de cuidados de saúde com o objectivo de desenvolver a investigação médica.

Em Março, a Apple apresentou o ResearchKit, um sistema destinado à investigação médica e que conta com os contributos dos utilizadores de produtos da marca. Segundo a empresa, o ResearchKit torna o iPhone e a plataforma HealthKit em “poderosas ferramentas de diagnóstico”. A HealthKit centraliza os dados de saúde do utilizador reunidos através das aplicações móveis que este tenha nos seus aparelhos. O ResearchKit, que a Apple pretende desenvolver num sistema de open source, tem como objectivo que investigadores e médicos ajudem a desenvolver aplicações móveis de diagnóstico para serem usados nos dispositivos da marca.

As primeiras aplicações criadas com o ResearchKit, numa parceria da Apple com universidades e hospitais, têm como alvo a investigação da doença de Parkinson, diabetes, doenças cardiovasculares, asma ou cancro da mama.

Esta terça-feira, a IBM anuncia que está a apostar no sector da saúde e pretende utilizar os dados recolhidos e fornecidos através da plataforma HealthKit, com o consentimento dos utilizadores, como os batimentos cardíacos, as calorias gastas ou os níveis de colesterol, para serem descarregados num sistema de armazenamento em nuvem, acessível a médicos e investigadores.

A parceria da IBM com a Apple e outras empresas do sector vem aprofundar as relações entre tecnologia e saúde, numa altura em que smartphones e tablets, através de várias aplicações e plataformas, reúnem dados sobre os utilizadores recolhidos agora também pelo Apple Watch, acabado de chegar ao mercado.

A IBM viu aqui uma oportunidade para desenvolver o conceito, como explicou o vice-presidente sénior da IBM, John Kelly, à Reuters. Sublinhando que as plataformas HealthKit e ResearchKit, da Apple, são “verdadeiramente únicas”, o responsável afirmou que ainda não existe uma “forma sistemática de retirar e reunir todos os dados e enviá-los” a médicos e investigadores da área da saúde. É aqui que entra o projecto da IBM.

A IBM vai criar assim uma unidade dedicada ao fornecimento de análise de dados para o sector da saúde, através do Watson Health, um “sistema de computação cognitivo”, que vai ter a sua sede em Boston e, segundo a IBM, levar à criação de 2000 postos de trabalho, incluindo 75 médicos. No âmbito do projecto, a IBM adquiriu recentemente duas empresas tecnológicas, a Explorys e a Phytel, para reforçar a capacidade de análise de dados.

“O paciente médio irá recolher um terabyte de dados médicos durante a sua vida. As nossas análises vão ser capazes de encontrar os pontos, as pistas que estão a iludir-nos e encontrar novos avanços”, considerou, por sua vez, Michael Rhodin, na vice-presidência do IBM Watson. "A geração que compram relógios da Apple está interessada em filantropia de dados", acrescentou.