Palmela desafia lisboetas a provarem queijo, pão e vinho da Arrábida

Festival gastronómico tem sido montra de produtos tradicionais como o Queijo de Azeitão. Uma festa de sabores e de causas, como a da preservação da ovelha Saloia.

O queijo de Azeitão é um dos produtos em destaque nesta feira
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O queijo de Azeitão é um dos produtos em destaque nesta feira Fernando Veludo/NFactos

Sabe o que é um montanhão? Já viu tosquiar uma ovelha, ou já assistiu a uma corrida de borregos? Os montanhões são os habitantes da Quinta do Anjo, a localidade no concelho de Palmela que convida quem vive na cidade a ir ao Festival do Queijo, Pão e Vinho, que decorre no final desta semana, de sexta-feira até domingo.

Além de provarem os produtos regionais, como o Queijo de Azeitão, que é quase na totalidade produzido na Quinta do Anjo, ou os vinhos da região demarcada da Península de Setúbal, os visitantes podem aprender a fazer queijo, experimentar andar a cavalo, ver tosquia manual e mecânica ou torcer numa corrida de ovelhas no ovinódromo.

Experiências com que a organização pretende aliciar os lisboetas a visitarem o certame e a renderem-se aos encantos do campo. O Festival do Queijo Pão e Vinho, que há 24 anos mostra estes produtos tradicionais, quer continuar a crescer em visitantes, este ano, e bater o recorde de 18 mil pessoas no recinto, alcançado no ano passado.

O presidente da Câmara de Palmela, um dos principais apoiantes do festival organizado pela Associação Regional dos Criadores de Ovinos da Serra da Arrábida (Arcolsa), afirma que esta festa e já uma “referência na região”, que se transformou num “evento de família”, e aponta o público da margem norte do Tejo como destinatário do esforço de promoção.

O certame é um “ponto de interesse único na Área Metropolitana de Lisboa e apostamos muito nesse público urbano sedento destas experiências que podem marcar as pessoas”, disse Álvaro Balseiro Amaro na apresentação da edição deste ano.

O presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo destaca também o papel do festival na promoção do Queijo de Azeitão que, “a par do vinho e do pão”, é dos produtos “mais importantes” da terra. António Mestre sublinha a necessidade de preservação da raça Saloia, a ovelha que “marca e distingue a freguesia”.

A preservação e promoção da raça saloia é um dos objectivos do festival, uma vez que o leite destas ovelhas é um dos elementos essenciais na produção do Queijo de Azeitão, um produto com Denominação de Origem Protegida (DOP) de acordo com as normas da União Europeia.

A Arcolsa e as autarquias locais apostam, por isso, na manutenção, em permanência, de um rebanho, de 20 a 30 animais, que está a ser preparado e ficará instalado no recinto da quinta de São Gonçalo, onde se realiza o festival, para complementar a missão do Museu do Ovelheiro já existente.

O museu mostra o ambiente tradicional de criação de ovelhas e o processo artesanal de produção de queijos e com um rebanho disponível em permanência vai passar a ser possível assistir ao vivo à ordenha e à tosquia dos animais.

Segundo Francisco Macheta, da Arcolsa, o Museu do Ovelheiro está a crescer. “Só este ano, até ao final de Março, recebemos 600 crianças das escolas públicas de Palmela e vamos agora começar a receber visitas de escolas privadas”, disse o responsável, explicando que durante o festival haverá também visitas ao museu, tanto guiadas, em horas marcadas, como livres, uma vez que o espaço estará permanentemente aberto aos visitantes.

A raça Saloia é cada vez menos usada pelos produtores, tendo vindo a ser substituída por outras raças mais produtivas, mas a associação combate essa tendência através da sua acção no âmbito da produção de Queijo de Azeitão. Actualmente há cinco queijarias em laboração, sendo que quatro são no concelho de Palmela e produzem 95% do total.

De acordo com a Arcolsa, a produção de queijo está em “franco crescimento”, tendo subido de 165 toneladas em 2016 para as 205 em 2017. Este ano a produção deve continuar a crescer, uma vez que “os três primeiros meses de 2018 foram sempre superiores aos do ano passado”, disse Francisco Macheta.