Confirmado primeiro caso em Lisboa num homem com ligações ao Ruanda e ao Porto

Balanço do número de casos de sarampo sobe para 76, segundo uma actualização da Direcção-Geral de Saúde feita na manhã desta quarta-feira; desses, 62 já estão curados. Em 24 horas, houve seis novos casos.

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A DGS declarou em meados de Março que há um surto de sarampo, uma doença infecciosa altamente contagiosa, que pode ser prevenida através da vacinação Reuters/LUCY NICHOLSON

Um homem de 39 anos está internado com sarampo no Hospital de Santa Maria, confirmou ao PÚBLICO a directora-geral de Saúde, Graça Freitas. Apesar de estar internado em Lisboa, é pouco provável que tenha contraído a infecção na capital. Como esclarece Graça Freitas, o homem teve um “percurso grande”: veio recentemente do Ruanda, em África, onde há esporadicamente casos de sarampo, e tem uma “ligação laboral” com a cidade do Porto. A contar com este caso em Lisboa, o número de casos de sarampo subiu para 76 — o que significa que surgiram seis novos casos nas últimas 24 horas.

Graça Freitas esclarece que o homem está “estável” e que os serviços estão a “tentar perceber” em que circunstâncias foi contaminado. Este é o primeiro caso na região de Lisboa; os outros casos foram quase todos registados na região Norte do país (74 casos), havendo um único caso na região Centro.

Ao todo, estão até agora confirmados 76 casos em Portugal – incluindo o homem internado em Lisboa –, 62 deles já curados, segundo uma actualização do surto de sarampo feito na manhã desta quarta-feira. Os doentes infectados são todos adultos; 11 deles não estavam vacinados contra o sarampo e 42 são mulheres. De todos os casos, mais de 80% são profissionais de saúde e a maioria tem ligação ao Hospital de Santo António, no Porto. Além dos casos confirmados, há ainda 28 em investigação.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, disse na segunda-feira que o surto de sarampo estava “em fase final”. “Temos tido, nos últimos dias, um caso por dia, portanto estamos numa fase final do surto”, afirmou o governante, citado pela Lusa. O surto de sarampo foi declarado pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) a 14 de Março.

De qualquer forma, a DGS diz não haver razões para temer uma “epidemia de grande magnitude”, já que grande parte da população está protegida: ora porque foi vacinada, ora porque já teve a doença. A vacina contra o sarampo faz parte do Programa Nacional de Vacinação e deve ser administrada em duas doses, aos 12 meses e aos cinco anos de idade; como explica a DGS, “a vacinação é a principal medida de prevenção contra esta doença e é gratuita”. Quem já teve sarampo está imunizado e não voltará a ter a doença; já quem tenha sido vacinado pode contrair a doença de forma leve, sem que sejam considerados veículo de transmissão da infecção.