Morreu Charles Lazarus, o fundador da Toys "R" Us

Empresa de brinquedos anunciou que ia fechar lojas nos EUA e Reino Unido nas últimas semanas. Filial imobiliária espanhola, proprietária das lojas em Portugal e Espanha, iniciou processo de insolvência esta terça-feira.

Charles Lazarus abriu a primeira loja Toys "R" Us em 1957
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Charles Lazarus abriu a primeira loja Toys "R" Us em 1957, nos EUA Reuters/Carlo Allegri

O fundador da Toys "R" Us morreu esta quinta-feira nos Estados Unidos, com 94 anos. A notícia da sua morte chega uma semana depois de a empresa ter anunciado que ia fechar lojas em alguns países, incluindo nos EUA e no Reino Unido e dias depois de a Toys "R" Us Iberia Real Estate, dona das lojas em Portugal e Espanha, ter iniciado um pedido de falência.

A morte do fundador da Toys "R" Us foi comunicada através do Twitter. “Houve muitos momentos tristes para a Toys 'R' Us nas últimas semanas, mas nenhum mais doloroso do que as notícias de hoje sobre o falecimento do nosso amado fundador, Charles Lazarus”, escreveu a empresa na rede social. 

Em comunicado de imprensa, a Toys "R" Us anunciou que o estado de saúde do fundador se encontrava em “declínio” e que estarão “eternamente gratos pela sua energia positiva, paixão pelo cliente e amor pelas crianças em todo o mundo”. Também esta quinta-feira, a empresa anunciou ainda que iria suspender a liquidação de centenas de lojas devido a “circunstâncias imprevistas”, de acordo com a estação televisiva BBC.

Com o baby boom

Charles Lazarus começou a vender brinquedos em 1947, depois de regressar do serviço militar que prestou na Segunda Guerra Mundial. Numa entrevista que deu, em 2008, à revista Entrepreneur, o fundador explicou que abriu o negócio porque os seus amigos militares diziam que, quando a guerra acabasse e voltassem para os EUA, iriam casar e ter filhos. Desta forma, decidiu aproveitar o baby boom que se seguiu à guerra e abrir um negócio relacionado com as crianças.

Inicialmente, Lazarus começou por vender móveis infantis. Após regressar a casa da família nos subúrbios de Washington, em 1948, converteu a loja de bicicletas do seu pai numa empresa de móveis para crianças, abrindo o seu primeiro estabelecimento, a Children's Supermart, e mais tarde entrou no negócio dos brinquedos e jogos infantis com a Children’s Bargain Town. Afirmou, na altura, que este seria um bom negócio porque “os brinquedos (…) não duram muito tempo”, segundo a BBC. Em 1957, adoptou o nome Toys "R" Us, entrando em bolsa em 1978.

O "R" ao contrário tornou-se um símbolo icónico da marca que, segundo o fundador, citado pela BBC, tinha como objectivo fazer parecer que o título da empresa tinha sido escrito por uma criança. Anteriormente, a indústria dos brinquedos infantis era considerada sazonal, tendo a Toys "R" Us contribuído para o crescimento deste negócio. Em 1986, a revista Atlantic Monthly afirmou que Charles Lazarus era "a pessoa mais responsável por enfraquecer o controlo do Pai Natal sobre o negócio dos brinquedos", cita a estação televisiva britânica.

O fundador tinha abandonado a empresa em 1994 e, desde essa altura, a Toys "R" Us tem vindo a lutar para não fechar portas, já que o aumento das compras online impede que as pessoas visitem as lojas. A 14 de Março, o grupo internacional anunciou que vai encerrar todas as lojas no Reino Unido e, passado um dia, divulgou também a liquidação do negócio nos EUA.

Já esta terça-feira, a filial espanhola Toys "R" Us Iberia Real Estate, dona de 26 lojas físicas em Portugal e Espanha, iniciou um processo de insolvência em Madrid. As restantes sociedades do grupo Toys "R" Us Iberia vão manter a actividade com normalidade e iniciaram os processos para procurar potenciais compradores do negócio na Península Ibérica.

A Toys "R" Us abriu em Portugal em 1993, com as primeiras lojas em Telheiras (Lisboa) e em Vila Nova de Gaia. Em Setembro de 2017, a cadeia de brinquedos tinha cerca de 1700 lojas em todo o mundo e, em 2016, gerou uma receita de cerca de 9590 milhões de euros. Apesar de ter chegado a existir, em 2005, um acordo para a compra da Toys "R" Us por um consórcio de firmas, os planos foram abandonados e, desde então, a empresa tem visto a sua capacidade de investimento em planos de crescimento limitada.