Tur4all, uma plataforma de turismo mais acessível para todos

Turistas com algum tipo de deficiência têm sempre a vida mais difícil quando estão em viagem. Três entidades portuguesas uniram esforços num projecto que permite planificar as próximas férias de forma mais consciente. E convidam todos os viajantes a contribuir com informação.

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Há 80 milhões de pessoas na União Europeia que têm algum tipo de deficiência, um número que deve crescer para 120 milhões nos próximos dois anos, estima Bruno Lisita/Arquivo

Cada viagem é uma aventura que arranca no momento em que se começa a planeá-la. Mas, para quem tem necessidades especiais, esse momento pode rapidamente degenerar num desmotivante choque com a realidade: o turismo não está preparado para os 80 milhões de pessoas da União Europeia que hoje em dia têm algum tipo de deficiência e a falta de informação não ajuda a quem não abdica de viajar mas precisa de apoios específicos. Há duas semanas, nasceu a plataforma online Tur4all, que disponibiliza um website e uma aplicação Android (a versão iOS será lançada até Junho de 2018), com informação sobre o que pode encontrar num determinado destino para ajudar essas pessoas com necessidades específicas, sejam elas um menor saudável, um adulto portador de deficiência ou alguém que, numa idade mais avançada, vive com mobilidade reduzida.

“Em Portugal — afirmam os promotores da Tur4all — há cerca de um milhão de pessoas com necessidades específicas, 2,5 milhões de séniores, 550 mil crianças com menos de cinco anos e outros milhares de pessoas com limitações temporárias ou definitivas.” É para elas que a Tur4all promete ser um recurso relevante. Actualmente, tem dados sobre 300 destinos turísticos, “todos auditados”, e a Fundação Vodafone Portugal, parceiro tecnológico desta iniciativa, espera mais do que triplicar este número até ao final de 2018. É uma gota num oceano, como se imagina, mas até as melhores expectativas poderão ser superadas se toda a gente ajudar — e toda a gente pode ajudar.

O parceiro que financia esta iniciativa é o Turismo de Portugal, cujo presidente, Luís Araújo, destaca que a plataforma é “fundamental no envolvimento dos agentes turísticos e na melhoria da experiência turística para todos”.

Quando nasceu, a ferramenta dava informação em português, castelhano e inglês. Brevemente, fá-lo-á também em alemão, francês, italiano e mandarim.

No essencial, assemelha-se a um motor de busca. Num lado define-se o destino e a categoria do que se procura (desde hotéis a monumentos, passando por instalações públicas como sanitários e acabando em locais de feiras e congressos, rotas turísticas, experiências de lazer ou centros de feiras e congressos). Os resultados podem ser refinados por categorias muito diversas (ver texto ao lado).

“Trata-se de dar resposta às necessidades do mercado, mas também aos direitos das pessoas”, anota Ana Garcia, presidente da Acessible Portugal, uma associação privada que promove a plataforma que promete “informação objectiva e actualizada sobre as condições reais de acessibilidade da oferta turística”.

O menu de navegação é outra forma de usar a Tur4all, com dados sobre como usar diferentes tipos de transporte, com informação básica, ligações e contactos para as entidades gestoras das infra-estruturas de transporte. E as famílias que necessitarem de serviço de apoio domiciliário, ou que prefiram entregar a planificação a uma agência de viagem especializada no turismo inclusivo, também encontrarão ligações e contactos.

Para Mário Vaz, Presidente da Fundação Vodafone Portugal, “a Tur4all Portugal vem permitir a partilha de informação numa área crucial”. E se há destinos mais remotos para os quais não há informação ou esta é pouca, há outros mercados, como o português e o espanhol, em estado mais avançado. O que é notório, salienta Mário Vaz, é que há um “potencial de crescimento para outros mercados”.

O mais importante é que a informação seja fiável. Para tal, a Tur4all Portugal só publica “informação validada por peritos especialistas”, mas os próprios utilizadores “podem avaliar e partilhar a sua opinião e experiência”. É um misto de curadoria e de crowdsourcing e quantas mais pessoas participarem, mais completa se tornará para os 120 milhões habitantes da UE que, em 2020, terão algum tipo de deficiência. Ou seja, num espaço geográfico que envelhece a olhos vistos, hoje há um europeu em cada seis com algum tipo de necessidade específica, mas dentro de dois anos a proporção aumentará para um em cada cinco (ou 20% dos habitantes da UE).