Meo passa a cobrar um euro pela factura em papel

Segundo a operadora da Altice Portugal, numa primeira fase serão abrangidos os clientes das assinaturas de telemóvel, mas a medida irá estender-se a todos os clientes.

Enric Vives-Rubio / Arquivo
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Enric Vives-Rubio / Arquivo

A Meo vai começar a cobrar pelo envio de facturas em papel aos seus clientes com assinaturas de telemóvel a partir de Abril. A empresa comunicou por SMS a introdução deste novo custo administrativo, que já está em vigor há um ano para quaisquer novas adesões.

“Esta medida, que evita atrasos e extravios na correspondência via correios, prevê a partir de Abril (no caso de clientes pós-pagos móveis) uma despesa administrativa relativa ao envio da factura, no valor simbólico de um euro”, adiantou ao PÚBLICO fonte oficial da empresa.

No entanto, a Meo assume que em breve irá estender a cobrança do envio da factura em papel aos outros clientes da empresa, numa lógica de “digitalização de todos os processos”.

A operadora liderada por Alexandre Fonseca explica ainda que “tem vindo progressivamente a incentivar todos os seus clientes à adesão à factura electrónica, numa óptica de preservação e sustentabilidade ambiental”.

O PÚBLICO também questionou a Nos sobre se está nos seus planos vir a cobrar pelo envio da factura em papel, mas a empresa não quis comentar. Já a Vodafone Portugal diz que o envio da factura em papel “é gratuito para todos os clientes”. Contudo, se o cliente quiser saber algo mais que o valor total que tem a pagar em determinado período (para confirmar, por exemplo, se aquilo que lhe está a ser facturado corresponde às chamadas que efectivamente fez), o envio dessa informação em papel passa a ser um “serviço” e, como tal, tem um custo, assume a Vodafone.

O detalhe das comunicações é disponibilizado gratuitamente na área de cliente do site da Vodafone, na App e nas facturas electrónicas, mas “para os clientes que pretendem o detalhe de comunicações em papel, o valor do serviço é 0,88 euros + IVA”, adiantou fonte oficial da empresa presidida por Mário Vaz.

A Vodafone diz que “não está previsto” vir a cobrar aos seus clientes o envio da factura em papel e nota que introduziu a versão electrónica em 2001 e “desde essa altura” tem incentivado os clientes a fazerem a substituição, “pela maior comodidade, privacidade e segurança e ainda pela diminuição do consumo de papel e do abate de árvores”. Neste momento, “dois terços dos clientes já utilizam o serviço factura electrónica”, revela a empresa.

Nem Vodafone, nem Meo (nem a Nos) revelaram qual o encargo anual com o envio de factura em papel aos seus clientes. Mas a Vodafone reconhece que pode haver vantagens para os consumidores se optarem pela factura electrónica e pelo débito directo. “O valor base dos tarifários é idêntico para todos os clientes”, mas em “algumas ofertas a Vodafone proporciona vantagens na adesão à factura electrónica e ao débito directo em conta bancária”, diz a empresa.

Trata-se de uma lógica semelhante ao que também se verifica na comercialização de energia, em que as empresas dizem oferecer descontos de preço aos clientes, porque conseguem passar para o preço final parte da redução dos custos associados ao envio da factura em papel e ao processamento dos pagamentos por multibanco.

A Meo adiantou ao PÚBLICO que não há “qualquer tarifário de serviço diferenciado de acordo com o método de pagamento desejado” pelo cliente, mas é certo que a empresa também oferece “vantagens” aos clientes (como, por exemplo, a oferta de duas mensalidades) se este aderir à factura electrónica e ao débito directo no momento em que contrata alguns pacotes de comunicações. Noutros casos, para aderir a algumas das ofertas comerciais, como vários dos pacotes Meo Fibra, é mesmo obrigatória a adesão automática à factura electrónica, como se pode constatar no site da empresa.