Diana Gomes da Silva voou mais alto para se tornar piloto de aviões

Com 12 anos de carreira, a jovem é piloto, instrutora e já passou por quatro companhias aéreas. Apenas 4% dos pilotos são mulheres.

Fotogaleria
DR
Fotogaleria
DR
Fotogaleria
DR
Fotogaleria
DR

Como sempre gostou de voar, Diana Gomes da Silva deixou para trás o preconceito para ser piloto de aviões. “Toda a vida tive um fascínio enorme pelo espaço, pelo céu, por voar. Quando era pequena queria ser astrofísica ou astronauta, como o programa espacial português não avançou, acabei por seguir aviação”, brinca a piloto. Segundo a Sociedade Internacional de Mulheres Pilotos, apenas 4% são mulheres.

Depois de ter sido assistente de bordo durante um ano, na extinta Air Luxor, foi aos 17 anos que começou a tirar o curso de aviação na Omni, em Cascais, onde agora é instrutora. Em 2002, era a única rapariga da turma.

Actualmente, com 33 anos, Diana Gomes da Silva explica que o apoio dos pais foi fundamental para seguir o seu sonho "sem medo". "Os meus pais ajudaram-nos a perceber que podíamos ser aquilo que quiséssemos, somos uma família peculiar", lembra, referindo que, além dela, também os irmãos seguiram profissões "menos convencionais". "O meu irmão, por exemplo, é surfista nas ondas da Nazaré”, junta.

“No meu emprego nunca senti dificuldades por ser mulher. Senti dificuldades que provavelmente elementos do sexo oposto também sentiram, relacionadas com a procura de emprego”, refere. Pelo contrário, Diana confessa que aos 26 anos foi “muito bem acolhida” depois de se ter tornado instrutora da AirBus, ocupando assim o lugar da primeira mulher instrutora no Médio Oriente. “Os meus maiores desafios deviam-se à cultura do país. Era complicado, por exemplo, convencer alguém do Iémen que devia ser eu, uma mulher, a decidir o combustível.”

Comentários sexistas

Apesar de nunca se ter sentido discriminada, a piloto já ouviu comentários menos abonatórios. "Eu e outra comandante tivemos de fazer uma aterragem automática porque estava nevoeiro. Na despedida deixamos a porta do cockpit aberta, um dos passageiro viu-nos e comentou: ‘Claro que só podiam ser mulheres a fazer uma aterragem destas’." Contudo, a piloto sublinha que, na maior parte das vezes, recebe elogios e que as pessoas “ficam felizes por ver uma mulher no comando”.

Ao considerar-se “bastante feminina”, acrescenta que às vezes as pessoas têm dificuldade em acreditar que “uma rapariga que pinta as unhas e usa saltos altos” pode pilotar aviões – “Trabalha no aeroporto? Ah, é hospedeira!”. No entanto, com 12 anos de carreira já trabalhou em quatro companhias. Começou pela Omni, passou pela Sata, pela Etihad Airways e, há cerca de um ano, voa pela easyJet .

“Mesmo estando a trabalhar numa área associada ao sexo oposto, podemos ser femininas, podemos e devemos arranjar-nos, caso seja essa a nossa vontade. Gosto de passar este tipo de mensagem às minhas alunas e mostrar-lhes que podemos ser e fazer aquilo que quisermos”, defende.

Actualmente, Diana é embaixadora do programa Amy Johnson da easyJet, um projecto que procura apoiar as mulheres a seguirem a carreira de piloto. Até 2020, a companhia quer que 20% dos seus pilotos sejam mulheres. “Na minha altura havia uma mulher por ano ou de dois em dois anos a tirar o curso; em 2018, quase todas as turmas dos cursos de aviação têm pelo menos uma rapariga. Este movimento de empowering women [dar poder às mulheres] só faz sentido se se tornar real, ou seja, se as mulheres começarem a agir e a fazer aquilo que realmente desejam”. Diana é a primeira piloto a fazer acrobacia aérea na Península Ibérica.

Relativamente ao salário, esclarece que recebe o mesmo que os homens. “As mulheres, tal como os homens, têm todas as capacidades para serem o que quiserem. Claro que há sacrifícios, nunca vi ninguém com sucesso que não tenha feito sacrifícios”, sustenta, sublinhando que esses "valem sempre a pena".

No final e “com certeza”, afirma que “dar o benefício da dúvida e tentar perceber o outro” foram dois dos grande segredos do sucesso da sua carreira, sobretudo quando passou pelo Médio Oriente. No entanto, Diana sublinha o papel dos pais como fundamental. “Sempre fiz desporto. Eu e os meus irmãos íamos muitas vezes jogar futebol, andar de bicicleta, e nunca me passou pela cabeça achar que, por exemplo, o futebol era para rapazes. Na nossa educação não havia distinção de género. Éramos todos iguais.”, finalizou.

Texto editado por Bárbara Wong