Matteo Salvini – uma história de sucesso

Transformou um partido regionalista numa plataforma política de alcance nacional.

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EPA/DANIEL DAL ZENNARO

Quando Matteo Salvini assumiu os destinos da Liga Norte em 2013, o partido vinha de uns magros 4% nas eleições legislativas desse ano, estava falido e caminhava a passos largos para a insignificância política. Cinco anos depois, a rebaptizada Liga é hoje a mais votada da família política da direita em Itália e Salvini tem fortes possibilidades de poder vir a liderar o próximo Governo do país.

A ascensão meteórica de Salvini no espaço político italiano deve muito à transformação radical que o próprio operou dentro do partido regionalista e que era exclusivamente dependente do eleitorado da Lombardia, Vêneto e  Piemonte, tornando-o numa plataforma política de alcance nacional.

Contra os barões da Liga Norte – com o fundador e ex-líder Umberto Bossi à cabeça –, o político de 44 anos ofereceu uma nova roupagem ao tradicional discurso anti-Roma, assente na ideia de que é o próspero Norte de Itália que financia o resto do país, e apimentou-o com uma postura implacável e corrosiva contra a União Europeia e a imigração no país.

Esta busca pelo apoio de um eleitorado mais vasto levou-o inclusivamente a fundar o do Noi con Salvini (Nós com Salvini, em português), um partido irmão da Liga Norte, com sede em Roma e representação no Sul de Itália.

Natural de Milão, Salvini fez parte de movimentos juvenis ligados à esquerda, antes de ingressar na Liga Norte. Entre 2004 e 2006 e 2008 e 2013, ocupou o cargo de eurodeputado.

É um adepto incondicional do russo Vladimir Putin e do norte-americano Donald Trump e nos últimos anos criou fortes laços com a Frente Nacional de Marine Le Pen (França), e com o Partido para a Liberdade de Geert Wilders (Holanda).