Actrizes francesas criaram o seu movimento Time's Up

"Maintenant on agit" é o nome do movimento que tem como objectivo angariar um milhão de euros para apoiar vítimas de assédio e abuso sexual.

Vanessa Paradis
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Vanessa Paradis Reuters/Yves Herman

Mais de cem actrizes e profissionais do cinema em França, incluindo Vanessa Paradis, Diane Kruger e a escritora Leila Slimani, lançaram o seu próprio movimento contra a violência sexual e declararam que vão usar fitas brancas durante a cerimónia dos Césares, os Óscares franceses, esta sexta-feira.

Numa carta publicada no Libération, as mulheres declaram que criaram o movimento "Maintenant on agit", em português "agora agimos", contra o assédio e também para angariar fundos para que as mulheres que sofreram de assédio ou de abuso sexual possam tomar medidas legais. O objectivo é angariar um milhão de euros para doar a quatro organizações que trabalham com mulheres.

Este movimento chega depois de Catherine Deneuve e outras 99 mulheres francesas terem reagido ao escândalo Weinstein com uma carta no Le Monde, no início do ano, onde declararam rejeitar um feminismo que “exprime ódio pelos homens” e insurgiram-se contra “uma caça às bruxas”. Nessa carta, as mulheres defendiam que os homens devem ter "liberdade de importunar". Poucos dias depois, a resposta não se fez esperar pela voz de um grupo de 30 feministas e activistas francesas, que alertavam para o facto de todos os dias em França acontecerem "centenas" de casos de assédio sexual e violação.

"Estamos preocupadas: mal acompanhadas, as mulheres são vulneráveis à justiça. É tempo de agir. Juntas, vamos apoiar aquelas que trabalham de forma concreta para que nunca mais ninguém diga #MeToo. Vamos dar", escreveram agora as actrizes, num apelo a que sejam feitas doações. Entre as mulheres que assinaram a carta estão as actrizes Vanessa Paradis, Julie Gayet, Anna Mouglalis, Adele Haenel, Camellia Jordana ou Sandrine Bonnaire, mas também Diane Kruger, que embora seja de origem germânica, vive em França. 

Este movimento coincide com um debate em França sobre a introdução de multas para punir casos de assédio sexual na rua, tais como observações obscenas ou degradantes. Por cá, desde Agosto de 2015 que existe uma lei que criminaliza o piropo de cariz sexual.