Crítica

Amores e desamores

Um belo regresso à longa ao fim de dez anos, com uma comédia romântica que sabe como contornar os lugares-comuns do género.

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Um olhar estilizado sobre uma paisagem e sobre a cidade: Amor, Amor
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Há dez anos que Jorge Cramez não voltava à longa, desde o aclamado mas desequilibrado O Capacete Dourado. E fá-lo subindo a fasquia, assinando com Amor, Amor uma comédia doce-amarga de amores e desamores na Lisboa contemporânea, com qualquer coisa de lúdica guerra dos sexos onde as mulheres (Ana Moreira e Margarida Vila-Nova) têm todo o jogo na mão e os homens (Jaime Freitas, Nuno Casanovas e Guilherme Moura) procuram colocar-se a jeito.

Reconhece-se em Amor Amor o cuidado estético do realizador (sumptuosa fotografia de João Ribeiro), o seu olhar estilizado sobre a paisagem e a cidade, perfeitamente integrados numa narrativa consistente, livremente adaptada de La Place royale ou l’amoureux extravagant do seiscentista francês Pierre Corneille. É um filme de maturidade onde encontramos pontos em comum com cineastas que têm trabalhado de maneira lateral sobre a comédia romântica, como o argentino Matias Piñeiro ou o americano Alex Ross Perry — e é um filme que, por uma vez, desafia a convenção demagógica segundo a qual o cinema só pode ser “de autor” ou “de indústria”. Amor, Amor não é uma coisa nem outra, tem personalidade e bom gosto e tudo para chegar ao grande público. Só é preciso querer.